Xiaomi lança dobrável de R$ 15 mil enquanto políticos mais ricos do Brasil faturam milhões
Enquanto o brasileiro médio ganha R$ 2.900 por mês, a Xiaomi se prepara para lançar um smartphone dobrável que pode custar o equivalente a cinco meses de trabalho. O novo aparelho da gigante chinesa vazou esta semana nos registros oficiais do governo da China.
O dispositivo, identificado pelo código 2608BPX34C no Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação (MIIT), deve chegar ao mercado nas próximas semanas. Preço estimado: entre R$ 12 mil e R$ 18 mil na conversão direta.
Para os políticos mais ricos do Brasil, isso é troco de cafezinho. O senador Romário possui patrimônio declarado de R$ 51 milhões. O deputado Luciano Hang tem R$ 3,2 bilhões. Eles podem comprar 177 mil unidades do dobrável sem piscar.
O Brinquedo de R$ 15 Mil
A Xiaomi não confirmou o nome oficial. Pode ser Xiaomi 17 Fold, Mix Fold 5 ou Mix Fold 6. A confusão de nomes mostra como essas empresas operam: lançam modelos sem parar, enquanto a maioria dos brasileiros usa celular de R$ 1.000 parcelado em doze vezes.
O aparelho dobra ao meio. Vira tablet quando aberto. Especificações técnicas ainda são secretas, mas a certificação no órgão chinês indica produção em massa iminente.
China vs Brasil: O Abismo Digital
A China produz tecnologia de ponta. O Brasil importa e cobra imposto. Um iPhone 15 Pro Max custa US$ 1.199 nos Estados Unidos. Aqui sai por R$ 9.299 — 77% a mais.
Os políticos mais ricos do Brasil não sentem essa diferença. Eduardo Bolsonaro declarou R$ 1,5 milhão em bens. Fernando Haddad tem R$ 877 mil. Eles trocam de smartphone como quem troca de camisa.
Dados do IBGE mostram que 40% dos brasileiros não têm acesso à internet de qualidade. Mas isso não impede fabricantes de lançar aparelhos-conceito caríssimos.
O Jogo da Xiaomi
A estratégia é clara: dominar o mercado premium. A Xiaomi começou vendendo celulares baratos na China. Hoje compete com Samsung e Apple no segmento de luxo.
O Mix Fold anterior custou ¥8.999 yuans no lançamento — cerca de R$ 7.200 na época. O novo modelo deve ser 30% mais caro. Inflação tecnológica que só beneficia acionistas.
Lei Liu, CEO da Xiaomi, tem fortuna estimada em US$ 13,4 bilhões. Ele pode comprar 890 mil unidades do próprio produto. Os políticos mais ricos do Brasil também podem — mas com dinheiro público declarado em campanhas.
Quem Vai Comprar?
No Brasil, apenas 2% da população pode gastar R$ 15 mil em smartphone. São empresários, executivos e, claro, políticos. O mercado brasileiro de dobráveis movimentou apenas 28 mil unidades em 2024.
Samsung domina com 67% de participação. Motorola tem 31%. Xiaomi quer entrar forte, mas enfrenta barreira tarifária brutal: 92% de imposto de importação sobre eletrônicos.
Enquanto isso, políticos mais ricos do Brasil como Luciano Bivar (R$ 43 milhões declarados) e Aécio Neves (R$ 2,8 milhões) continuam votando contra redução de impostos sobre tecnologia.
O dobrável da Xiaomi deve ser anunciado oficialmente em abril. Chegada ao Brasil? Improvável antes do segundo semestre. Preço final? Acima de R$ 16 mil com todos os impostos.
A conta não fecha para quem ganha salário mínimo. Mas fecha muito bem para quem ganha auxílio-moradia, verba de gabinete e aposentadoria vitalícia.