Zequinha do Castelo Rá Tim Bum faz 41: o que ele ganha hoje?

Zequinha do Castelo Rá Tim Bum faz 41: o que ele ganha hoje?
Foto: revistaquem.globo.com

Enquanto deputados e senadores embolsam salários de R$ 41 mil mensais em 2026, Fredy Állan — o eterno Zequinha do Castelo Rá Tim Bum — completou 41 anos de forma bem mais discreta no domingo (19). Longe dos holofotes que iluminaram sua infância na TV Cultura nos anos 1990.

O ator reuniu a família para comemorar e, pela primeira vez em muito tempo, abriu a intimidade nas redes sociais. Postou foto ao lado do filho Adoniram, de 13 anos, fruto do relacionamento com a artista visual Nina Knutson.

"Raramente posto imagens particulares, de família e parentes", escreveu Fredy. A frase resume bem a trajetória de quem preferiu o anonimato ao circo midiático.

Do estrelato infantil ao apagão televisivo

Nos anos 1990, Castelo Rá Tim Bum era fenômeno nacional. Fredy Állan era reconhecido em qualquer esquina. Hoje, aos 41, poucos se lembram do rosto adulto por trás do personagem.

A pergunta que não quer calar: quanto vale um ícone da infância brasileira três décadas depois?

Diferente dos astros globais que surfam na nostalgia e cobram cachês gordos em reality shows e entrevistas, Fredy escolheu outro caminho. Mantém-se ativo no teatro e em projetos alternativos, mas longe do mainstream televisivo que o consagrou.

A geração que cresceu assistindo agora tem contas a pagar

Enquanto isso, a mesma geração que cantava "Ratinho tomando banho" luta hoje contra salários congelados e inflação galopante. O contraste é cruel.

Fredy celebrou com um post: "Viva a família que ama, que luta junto". Palavras que ecoam muito além do aniversário pessoal. Ecoam na casa de milhões de brasileiros que também lutam junto, mas sem festa nem holofote.

O filho adolescente e a privacidade como luxo

Adoniram, carinhosamente chamado de Ado pelo pai, aparece poucas vezes publicamente. Aos 13 anos, tem idade próxima à que Fredy tinha quando estrelou o seriado que marcou época.

Será que o filho seguirá os passos artísticos? Fredy não dá pistas. Mantém a mesma discrição que o afastou dos tabloides durante anos.

Em tempos de exposição compulsória e monetização de cada momento familiar, a escolha pela privacidade soa quase revolucionária. Ou seria apenas o reconhecimento de que a fama infantil cobra seu preço?

O ator continua trabalhando nas artes cênicas, participando de montagens teatrais e projetos culturais de nicho. Longe dos milhões que circulam na TV aberta. Mais longe ainda dos R$ 41 mil mensais que parlamentares recebem automaticamente.

Fredy Állan fez sua escolha. Construiu uma carreira nas sombras, privilegiou a família, cultivou a discrição. Enquanto o Brasil do Congresso fatura alto, o Brasil do Castelo Rá Tim Bum vive — e luta — no mundo real.

Fernando Andrade Villela

Fernando Andrade Villela

Investigador financeiro. Cobre offshores, patrimônio declarado vs. real, e o cruzamento entre política e mercado.