R$ 7 bi em jogo: três gigantes brigam por pedaço de ouro em Brasília

R$ 7 bi em jogo: três gigantes brigam por pedaço de ouro em Brasília
Foto: agenciainfra.com

Enquanto o brasileiro médio rala para juntar R$ 7 mil, três gigantes do asfalto vão disputar nesta quinta-feira (23) um contrato de R$ 7,07 bilhões. O prêmio? A Régis Bittencourt, a BR-116 que liga São Paulo ao Paraná — uma das rodovias mais movimentadas e lucrativas do Brasil.

Motiva, EPR e Arteris apresentaram propostas para o leilão simplificado que acontece na B3, em São Paulo. Detalhe picante: a Arteris já opera a estrada hoje. Ou seja, pode perder a galinha dos ovos de ouro para a concorrência.

O Jogo de Brasília

O contrato repactuado não é pouca coisa. São R$ 7,07 bilhões previstos para obras de ampliação e modernização. Quem vencer leva não apenas o dinheiro público investido, mas o direito de cobrar pedágio de milhões de motoristas pelos próximos anos.

A disputa expõe como funciona o poder em Brasília: contratos bilionários decididos em leilões onde apenas os grandes players têm cadeira. Três empresas. Bilhões em jogo. Zero espaço para novatos.

Quem São os Jogadores

A Arteris é a atual detentora da concessão. Controla nove rodovias no Brasil e faturou R$ 4,5 bilhões em 2022. Está em casa, mas isso não garante vitória.

A EPR é controlada pela Perfin e administra sete rodovias, incluindo trechos da Dutra e da Rio-Santos. Tem músculo financeiro e experiência em repactuações.

A Motiva, braço de infraestrutura da CCR, é a caçula do trio mas vem com apetite de gigante. Quer crescer rápido no mapa das concessões brasileiras.

Por Que a Régis Bittencourt Vale Ouro

A rodovia é artéria vital do Sul. Caminhões, carros, fluxo constante. Pedágio garantido. Receita previsível. O sonho de qualquer concessionária.

O contrato repactuado prevê melhorias que vão justificar reajustes nas tarifas. Tradução: quem ganhar o leilão vai investir bilhões do próprio bolso (e de financiamentos subsidiados), mas vai recuperar tudo — e muito mais — na cobrança do pedágio.

É o modelo brasileiro de concessões: risco baixo, retorno alto, conta paga pelo usuário.

O Circo da B3

O leilão na Bolsa de Valores de São Paulo é o teatro onde Brasília valida decisões já costuradas. As propostas chegam lacradas. Os envelopes se abrem. Alguém vence.

Por trás dos holofotes, há meses de negociação com o governo federal, estudos de viabilidade econômica e projeções de lucro que fariam qualquer investidor babar.

A disputa real não é técnica. É política. É poder. É quem tem melhor trânsito em Brasília e bancos mais generosos.

Quem Paga a Conta

Como sempre, o motorista. Os R$ 7 bilhões de investimento serão recuperados com juros através do pedágio. As melhorias virão — pista duplicada, acostamento, iluminação —, mas o preço também.

É o capitalismo de concessão à brasileira: o Estado transfere o ativo, a empresa lucra, o cidadão paga. Repetidamente.

Nesta quinta, três empresas vão ao ringue. Uma sairá com um contrato de R$ 7,07 bilhões. As outras voltarão para casa planejando a próxima batalha.

Bem-vindo ao jogo do poder e dinheiro em Brasília. Onde os zeros sempre têm mais de seis dígitos.

Carolina Pereira Ferraz

Carolina Pereira Ferraz

Cronista de poder e dinheiro. Ex-Forbes Brasil, ex-Piauí. Especializada em rankings de riqueza, dinastias políticas e herdeiros do poder.