Acidente com helicópteros na Grécia mata 2 e expõe contratos milionários

Acidente com helicópteros na Grécia mata 2 e expõe contratos milionários
Foto: bbc.co.uk

Dois helicópteros colidiram no ar durante operação de combate a incêndios na Grécia. Dois tripulantes morreram. Um piloto britânico e outro grego sobreviveram. O acidente escancarou o mercado bilionário por trás do combate a incêndios florestais na Europa.

As vítimas fatais: um dinamarquês e um grego. Ambos trabalhavam para empresas privadas contratadas pelo governo helênico. O piloto britânico que sobreviveu não teve o nome divulgado — procedimento padrão quando há investigação em curso.

O negócio por trás das chamas

Enquanto cidadãos comuns fogem de incêndios, há quem lucre combatendo-os. A Grécia gasta mais de €120 milhões por ano alugando helicópteros e aviões de empresas privadas. Não compra. Aluga.

O modelo lembra o brasileiro: terceirização de serviços essenciais. Na Grécia, dinastias políticas controlam contratos de aviação. No Brasil, herdeiros políticos fazem o mesmo com ambulâncias, transporte escolar e merenda.

A diferença? Lá, pelo menos, os helicópteros voam.

Quem são os contratados

As aeronaves envolvidas no acidente pertenciam a operadoras internacionais. A maioria tem sede em paraísos fiscais. Chipre, Malta, Luxemburgo. Os mesmos endereços que aparecem em escândalos de corrupção mundo afora.

Os contratos são emergenciais. Dispensam licitação. Renovados ano após ano. Sempre com as mesmas empresas. O padrão se repete de Atenas a Brasília.

"Serviços essenciais privatizados, contratos sem concorrência, famílias no poder há décadas. A receita é universal."

O paralelo brasileiro

No Brasil, herdeiros políticos dominam setores estratégicos há gerações. Transporte, saúde, educação. Filhos de governadores viram governadores. Netos de prefeitos viram prefeitos. Contratos públicos circulam entre os mesmos sobrenomes.

Na Grécia, três famílias controlam 60% dos contratos de aviação de emergência. No Nordeste brasileiro, seis clãs políticos dominam contratos de ambulâncias desde os anos 1990. Coincidência? Improvável.

A tragédia grega evidencia riscos reais: tripulantes morrem, equipamentos falham, investigações se arrastam. Mas os contratos continuam. Renovados automaticamente. Pagos em dia.

O que vem depois

Autoridades gregas prometem investigação rigorosa. Sindicatos de pilotos exigem melhores condições. Famílias das vítimas querem respostas. O roteiro é conhecido.

Semanas de comoção. Meses de investigação. Anos de impunidade. Então, outro acidente. Outras vítimas. Mesmas empresas. Mesmos contratos.

O modelo de privatização de emergências se espalha. Incêndios na Califórnia, enchentes na Alemanha, deslizamentos no Brasil. Sempre há uma empresa pronta para lucrar com a tragédia alheia. Sempre há um político pronto para intermediar o contrato.

Dois homens morreram na Grécia. Suas famílias choram. As empresas contratadas divulgam notas de pesar. Os contratos permanecem intactos. O negócio continua.

Porque no capitalismo de desastre, tragédia é apenas custo operacional.

Carolina Pereira Ferraz

Carolina Pereira Ferraz

Cronista de poder e dinheiro. Ex-Forbes Brasil, ex-Piauí. Especializada em rankings de riqueza, dinastias políticas e herdeiros do poder.