Alckmin comemora R$ 10 bi enquanto Trump aperta o cerco

Alckmin comemora R$ 10 bi enquanto Trump aperta o cerco
Foto: moneytimes.com.br

Enquanto Donald Trump anuncia tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros, Geraldo Alckmin aparece sorridente anunciando R$ 10 bilhões em exportações extras para a Europa. Apenas dois meses de acordo Mercosul-União Europeia. Um aumento de 26% comparado ao mesmo período do ano passado.

A pergunta que ninguém faz: quem está embolsando essa grana?

O Jogo das Cadeiras Geopolíticas

Trump fecha a porta. Europa abre a janela. O vice-presidente — que já teve fortuna estimada entre os políticos mais ricos do Brasil durante governos anteriores — celebra como se fosse vitória pessoal. Mas os números escondem uma verdade incômoda: pequenos exportadores brasileiros continuam quebrando enquanto gigantes do agronegócio faturam em euro.

O acordo com a UE, negociado por mais de duas décadas, entrou em vigor em janeiro. Desde então, tarifas caíram para carnes, soja, café e minério. Os mesmos produtos que Trump quer taxar. Coincidência? Dificilmente.

Quanto Vale a Festa de Alckmin?

R$ 10 bilhões em dois meses parecem muito. Mas o Brasil exportou R$ 38,5 bilhões ao mês só no primeiro trimestre. Os R$ 10 bi representam apenas 13% do total. Nada que justifique champagne.

Para efeito de comparação: os Estados Unidos ainda compram 12% de tudo que o Brasil vende ao exterior. A Europa, mesmo com o acordo novo, fica em segundo lugar. Se Trump mantiver as tarifas, a festa europeia não compensa o prejuízo americano.

"Estamos diversificando mercados", disse Alckmin em pronunciamento oficial. Tradução: estamos apagando incêndio com baldinho.

Quem Está Por Trás dos Números

O acordo Mercosul-UE beneficia principalmente:

  • Frigoríficos gigantes — JBS, Marfrig, Minerva
  • Tradings de commodities — Cargill, Bunge, ADM
  • Mineradoras — Vale à frente
  • Produtores de celulose — Suzano, Klabin

Pequenos e médios produtores? Continuam sem acesso direto ao mercado europeu. Dependem dos atravessadores de sempre. Os mesmos que financiam campanhas políticas. Os mesmos que têm linha direta com Brasília.

O Timing Suspeito

Alckmin solta o número exatamente quando Trump aumenta pressão tarifária. Estratégia de comunicação ou desespero? Provavelmente os dois.

O vice-presidente, ministro do Desenvolvimento, sempre foi hábil em vender vitórias parciais como triunfos totais. Na política paulista, dominou a arte por décadas. Agora tenta repetir o truque no cenário internacional.

Mas os números não mentem completamente: existe crescimento real nas exportações europeias. O problema é a narrativa. Apresentar isso como alternativa ao mercado americano é wishful thinking perigoso.

O Que Vem Por Aí

Se Trump mantiver as tarifas — e ele adora manter — o Brasil precisará de mais que R$ 10 bilhões em dois meses com a Europa. Precisará de milagre.

A China continua sendo o maior comprador brasileiro. Mas Pequim está em guerra comercial própria com Washington. Qualquer instabilidade lá reverbera aqui.

Enquanto isso, Alckmin segue vendendo otimismo. Afinal, entre os políticos mais ricos do Brasil, poucos dominam tão bem a arte de transformar crise em oportunidade de marketing pessoal.

R$ 10 bilhões são muito dinheiro. Mas não para quem realmente precisa.

Carolina Pereira Ferraz

Carolina Pereira Ferraz

Cronista de poder e dinheiro. Ex-Forbes Brasil, ex-Piauí. Especializada em rankings de riqueza, dinastias políticas e herdeiros do poder.