Alckmin comemora R$ 10 bi enquanto tarifaço aperta brasileiro
Enquanto o brasileiro médio sente o peso das tarifas no bolso, o vice-presidente Geraldo Alckmin sobe ao palanque para comemorar: R$ 10 bilhões a mais em exportações para a Europa. O número é gordo. A pergunta é: gordo para quem?
Com apenas dois meses do acordo Mercosul-União Europeia em vigor, as vendas brasileiras ao bloco europeu saltaram 26% em comparação ao mesmo período de 2024. Alckmin, ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, apresentou os dados como vitória do governo.
O timing não poderia ser mais irônico. O anúncio vem exatamente quando o país debate o impacto das tarifas de Trump sobre produtos brasileiros e o governo Lula estuda retaliações.
Quem está embolsando os bilhões
Os R$ 10 bilhões não vão para a conta do trabalhador comum. O dinheiro engrossa os cofres de grandes exportadores — agronegócio, mineradoras, frigoríficos. Os mesmos que já dominam a balança comercial brasileira.
O acordo com a Europa favorece setores específicos. Carne bovina, soja, minério de ferro, celulose. Produtos de baixo valor agregado que mantêm o Brasil na posição de fornecedor de matéria-prima.
Enquanto isso, a indústria nacional segue patinando. A promessa de modernização industrial vira discurso vazio quando os números revelam: continuamos exportando commodity e importando tecnologia.
O custo invisível do acordo
Alckmin não menciona o outro lado da moeda. O acordo abre o mercado brasileiro para produtos europeus com tarifas reduzidas. Indústrias nacionais que já competem em desigualdade agora enfrentam concorrência ainda mais desleal.
Pequenas e médias empresas brasileiras não têm como competir com gigantes alemães, franceses e italianos que desembarcam aqui com preços subsidiados por seus governos.
A conta é simples: exportamos mais, mas abrimos as pernas para importações que podem destruir setores inteiros da economia local.
Alckmin e o clube dos bilionários
Geraldo Alckmin não figura entre os políticos mais ricos do Brasil, mas sua trajetória sempre esteve colada aos interesses do grande capital. Ex-governador de São Paulo, estado que concentra as maiores fortunas do país, ele sabe exatamente a quem servir.
O vice-presidente comemora números que beneficiam uma elite empresarial enquanto o grosso da população lida com inflação, desemprego e perda de poder de compra.
Os R$ 10 bilhões em exportações adicionais não se traduzem em salários melhores. Não enchem geladeiras. Não pagam aluguel.
O jogo das tarifas
O contexto global complica ainda mais o cenário. Donald Trump ameaça tarifar produtos brasileiros em até 25%. O governo Lula estuda retaliar. Europa se aproxima comercialmente enquanto EUA se afastam.
No meio dessa guerra comercial, quem perde é sempre o mesmo: o consumidor final que paga mais caro por produtos importados e vê empregos migrarem para onde as tarifas são menores.
Alckmin vende o acordo como vitória estratégica. A realidade mostra um país refém de oscilações globais, sem política industrial clara e dependente de commodities para manter as contas minimamente equilibradas.
Os R$ 10 bilhões existem. São reais. Mas seguem o caminho de sempre: do campo para o porto, do porto para a Europa, dos exportadores para contas em paraísos fiscais.
O brasileiro comum? Esse continua esperando sua parte do bolo.