Ânima nega venda da FMU em negócio bilionário sob lupa da CVM

Ânima nega venda da FMU em negócio bilionário sob lupa da CVM
Foto: moneytimes.com.br

Enquanto milhões de brasileiros suam para pagar mensalidade de faculdade, fundos bilionários disputam nos bastidores quem vai ficar com o lucro dessa conta. A Ânima Educação (ANIM3), gigante do setor que fatura bilhões vendendo diplomas, teve que sair a público nesta segunda-feira para negar um negócio polêmico: a venda da FMU à Farallon Capital.

A negativa veio em resposta direta à CVM, a Comissão de Valores Mobiliários, que pressionou a empresa por esclarecimentos. No mercado, rumores de bastidores indicavam que a Farallon teria uma opção de compra — o famoso "direito de preferência" que vale ouro no mundo corporativo.

O que está em jogo

A FMU não é uma faculdade qualquer. É uma das maiores instituições privadas do país, com mais de 100 mil alunos espalhados por São Paulo. Quem controla a FMU controla um fluxo de caixa mensal gigantesco — mensalidades que não param de entrar, crise ou não.

A Ânima deixou claro em comunicado oficial: "Não existe, nem nunca existiu, qualquer opção de venda outorgada à Farallon". Ponto final. Ou quase.

Porque quando a CVM pede esclarecimentos, raramente é só fumaça. A autarquia não move seus fiscais por fofoca de mercado.

Quem é quem nessa briga

De um lado, a Ânima Educação — grupo que controla marcas como UniBH, São Judas e UNA, além da própria FMU. É o maior grupo de educação privada da América Latina em número de alunos. Suas ações negociadas na B3 movimentam milhões diariamente.

Do outro, a Farallon Capital — fundo de investimento americano que opera com US$ 40 bilhões em ativos. Dinheiro sério. Gente que não entra em negócio para perder.

O conflito é simples: a Farallon quer um pedaço maior do bolo educacional brasileiro. A Ânima quer manter controle sobre seus ativos mais valiosos.

Por que isso importa

Educação virou commodity no Brasil. Fundos internacionais descobriram que país com 200 milhões de habitantes e poucos formados no ensino superior é mina de ouro. Compram universidades, cortam custos, aumentam mensalidades, maximizam lucro. Simples assim.

A Ânima não é exceção. Nos últimos anos, o grupo engoliu dezenas de faculdades menores, consolidando um império educacional que hoje vale bilhões no mercado.

A negativa pública desta segunda pode acalmar investidores a curto prazo. Mas levanta questões óbvias: por que a CVM perguntou? O que vazou nos corredores da Faria Lima que justificou a investigação?

O jogo continua

Enquanto alunos renovam matrículas e parcelam livros no cartão, executivos em salas refrigeradas negociam bilhões. A FMU, que já mudou de mãos várias vezes, pode mudar de novo.

A Farallon não comenta. A Ânima nega. A CVM observa.

No final, quem paga a conta — literal e figurada — são sempre os mesmos: os estudantes que acreditam que um diploma ainda vale alguma coisa neste país.

Isabela Guimarães Coutinho

Isabela Guimarães Coutinho

Editora de perfis. Escreve retratos de personagens do poder — do bilionário ao aliado invisível do Planalto.