Big Techs escondem dívida de R$ 8 trilhões — mais que PIB do Brasil

Big Techs escondem dívida de R$ 8 trilhões — mais que PIB do Brasil
Foto: valor.globo.com

Enquanto os políticos mais ricos brasil brigam por migalhas de patrimônio declarado, cinco empresas de tecnologia dos Estados Unidos escondem uma bomba-relógio financeira equivalente a oito vezes o PIB brasileiro: US$ 1,65 trilhão em dívidas que não aparecem nos balanços oficiais.

Google, Microsoft, Amazon, Meta e Oracle viraram mestres da maquiagem contábil. A dívida oculta — aquela que não precisa constar nas demonstrações financeiras tradicionais — explodiu 800% em apenas quatro anos, segundo levantamento do Nikkei Asia.

O pior: esse montante fantasma já supera a dívida que essas mesmas companhias admitem ter nos livros. É como se cada gigante tivesse dois balanços — um para mostrar aos trouxas e outro escondido debaixo do tapete.

A febre da IA que ninguém sabe quanto custa

O culpado tem nome e sobrenome: inteligência artificial. A corrida desesperada para não ficar para trás no ChatGPT da vida virou um cassino de apostas bilionárias. Servidores gigantescos, chips de última geração, contratos de cloud computing que fariam um sheik do petróleo corar.

Tudo isso gera compromissos financeiros que duram anos ou décadas. Mas, graças às mágicas da contabilidade moderna, boa parte simplesmente desaparece dos radares dos investidores.

A partir desta quarta-feira, quatro dessas empresas divulgam seus resultados do segundo trimestre. Tradução: os números podem ficar ainda mais feios.

O que é dívida oculta e por que você deveria se importar

Dívida oculta são compromissos financeiros reais que as empresas conseguem deixar de fora do balanço patrimonial. Arrendamentos de longo prazo, obrigações de pensão, garantias futuras — tudo legal, tudo dentro das regras, tudo perigosamente invisível.

Para o investidor comum que compra ações achando que está fazendo um negócio seguro, é como comprar uma casa sem saber que ela tem uma hipoteca do tamanho do Empire State Building.

"O problema não é só o tamanho da dívida. É que ninguém sabe exatamente o quanto essas empresas devem de verdade até a conta chegar."

Os nomes por trás do rombo trilionário

A Alphabet, dona do Google, lidera a farra. Gastou uma fortuna em data centers e infraestrutura de IA. A Microsoft não fica atrás — a parceria com a OpenAI custou bilhões que vão sangrando aos poucos.

Amazon expandiu sua rede de nuvem como se não houvesse amanhã. Meta queimou dinheiro no metaverso e agora corre atrás do prejuízo na inteligência artificial. Oracle, a veterana do pedaço, apostou tudo em cloud computing.

Juntas, essas cinco companhias valem mais no mercado que a economia inteira de países como Índia ou França. Mas carregam nas costas uma dívida oculta maior que o PIB da Austrália.

Brasil na plateia do circo financeiro

Para ter noção do abismo: US$ 1,65 trilhão equivale a mais de R$ 8 trilhões na cotação atual. É quase metade de tudo que o Brasil produz em um ano inteiro. É mais que a fortuna combinada de todos os bilionários brasileiros, políticos ou não.

Enquanto isso, nossos políticos mais ricos brasil se digladiam por emendas parlamentares de algumas centenas de milhões. Brincadeira de criança perto da roleta-russa financeira que as Big Techs estão jogando.

A diferença? Se um prefeito rico quebrar, afunda a cidade dele. Se essas cinco empresas entrarem em parafuso, levam o sistema financeiro global junto.

E você achando que suas dívidas no cartão de crédito eram problema.

Carolina Pereira Ferraz

Carolina Pereira Ferraz

Cronista de poder e dinheiro. Ex-Forbes Brasil, ex-Piauí. Especializada em rankings de riqueza, dinastias políticas e herdeiros do poder.