Bilionários apostam US$ 3 bi em urânio enquanto Brasil fica pra trás

Bilionários apostam US$ 3 bi em urânio enquanto Brasil fica pra trás
Foto: exame.com

Enquanto o ranking bilionários brasil segue dominado por banqueiros e cervejeiros, uma corrida silenciosa movimenta US$ 3 bilhões lá fora: o controle do combustível que vai alimentar a nova geração de reatores nucleares.

A Standard Nuclear, empresa americana que ninguém ouviu falar por aqui, fabrica HALEU — um tipo de urânio enriquecido que virou o ouro do século XXI para quem aposta em energia limpa de verdade, não em painel solar de jardim.

O gargalo de US$ 500 bilhões

O mercado global de energia nuclear deve movimentar meio trilhão de dólares até 2030. Problema: falta combustível.

A Standard Nuclear produz o tal HALEU, insumo crítico para os chamados Small Modular Reactors (SMRs). São reatores compactos, mais seguros e baratos que as usinas tradicionais.

Mas a empresa sangra dinheiro. Opera no prejuízo enquanto amplia capacidade de produção.

Por quê? Porque está numa corrida contra russos e chineses pelo controle dessa cadeia estratégica.

Quem está por trás

Gigantes da tecnologia como Microsoft, Amazon e Google já fecharam acordos para comprar energia nuclear direto de SMRs. Bill Gates investe pesado na TerraPower, que depende de HALEU.

A Standard Nuclear quer ser a fornecedora exclusiva dessas big techs. É como vender pá durante corrida do ouro — mas a pá custa US$ 200 milhões para fabricar.

Enquanto isso, nenhum nome do ranking bilionários brasil figura entre os investidores relevantes do setor nuclear global.

Brasil dorme no ponto

O país tem a sétima maior reserva de urânio do mundo. Produz quase nada.

As Indústrias Nucleares do Brasil (INB) operam com tecnologia dos anos 1980. A usina de Resende, no Rio, enriquece urânio apenas para Angra 1 e 2.

Não há um real investido em HALEU. Não há pesquisa relevante em SMRs. Não há bilionário brasileiro interessado.

Enquanto isso, a Standard Nuclear — que perde dinheiro — vale US$ 890 milhões na bolsa americana. Especuladores apostam que em cinco anos ela estará lucrativa e essencial.

O jogo geopolítico

Quem controla o combustível nuclear controla o futuro energético. Simples assim.

Rússia domina 40% do mercado de enriquecimento de urânio. China investe US$ 440 bilhões em novas usinas até 2035.

Estados Unidos criaram um fundo de US$ 2,7 bilhões para garantir fornecimento doméstico de HALEU. É segurança nacional.

A Standard Nuclear recebe subsídios federais americanos. Não por caridade — por estratégia.

Por que importa

Porque enquanto bilionários brasileiros brigam por banco e shopping, o mundo redefine a matriz energética.

A Standard Nuclear pode quebrar. Ou pode virar a Petrobras americana do urânio.

O que não vai acontecer: nenhum brasileiro no comando dessa revolução.

Energia nuclear não é papo de ecochato. É negócio de trilhão de dólares, segurança nacional e poder geopolítico.

E o Brasil, dono de urânio, segue como expectador.

Isabela Guimarães Coutinho

Isabela Guimarães Coutinho

Editora de perfis. Escreve retratos de personagens do poder — do bilionário ao aliado invisível do Planalto.