BTG volta a apostar na Ambev após 13 anos: jogo de bilionários

BTG volta a apostar na Ambev após 13 anos: jogo de bilionários
Foto: moneytimes.com.br

Enquanto você paga R$ 8 numa latinha de Brahma no buteco, os bilionários por trás da Ambev acabam de ganhar um novo cheque de confiança: o BTG Pactual voltou a recomendar a ação da cervejaria depois de 13 anos de silêncio.

Treze anos. Mais de uma década sem olhar para a maior produtora de cerveja da América Latina.

O banco de André Esteves — ele próprio figurinha carimbada no ranking de bilionários do Brasil — retomou a cobertura da Ambev (ABEV3) com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 14,50. A ação fechou ontem cotada a R$ 11,37.

O que mudou na Ambev

A Ambev não é mais aquela máquina imparável de lucros dos anos 2000. A empresa enfrentou uma década difícil: concorrência agressiva de cervejas artesanais, mudança no perfil do consumidor, crise econômica e até pandemia.

Mas os analistas do BTG enxergam sinais de reviravolta. A tese é simples: a Ambev está mais barata, mais eficiente e começando a recuperar mercado.

Thiago Duarte, analista responsável pelo relatório, destacou três pontos:

  • Valuation atrativo — a ação negocia com desconto em relação aos concorrentes internacionais
  • Recuperação operacional no Brasil — ganhos de eficiência e controle de custos
  • Desempenho forte na América Latina — especialmente Argentina e Colômbia

Quanto vale esse império da cerveja

A Ambev tem valor de mercado de R$ 178 bilhões. Para colocar em perspectiva: é mais que o PIB de 120 países.

Por trás da empresa está a família Lemann — Jorge Paulo Lemann é o terceiro brasileiro mais rico do mundo, segundo a Forbes, com fortuna estimada em US$ 15 bilhões.

A Ambev faz parte do império global da AB InBev, controlada pela 3G Capital de Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira. Esse trio controla marcas que vão de Budweiser a Stella Artois, passando por Corona.

No Brasil, quase 7 em cada 10 cervejas vendidas levam o logo da Ambev: Skol, Brahma, Antarctica, Budweiser, Stella, Corona, Original, Bohemia.

Por que o BTG ficou 13 anos fora

O banco nunca explicou publicamente por que abandonou a cobertura da Ambev em 2012. Na época, a ação negociava acima dos R$ 90 — ajustada por desdobramentos e dividendos.

Coincidência ou não, foi justamente quando a cervejaria começou a perder fôlego. A década seguinte trouxe desafios que ninguém previu: brasileiros bebendo menos cerveja, marcas menores ganhando espaço, margens apertando.

Agora, com a ação 87% abaixo do pico histórico (ajustado), o BTG volta ao jogo.

Vale a pena comprar ABEV3?

O BTG não está sozinho no otimismo. Outros bancos como Itaú BBA e Bradesco BBI também recomendam compra da ação.

Os argumentos são parecidos: empresa barata, melhorando operação, com potencial de voltar a crescer lucros.

Mas há riscos. A Ambev depende do poder de compra do brasileiro — e o consumo de cerveja ainda patina. Além disso, a concorrência não dorme: Heineken e Petrópolis (da Itaipava) continuam agressivas.

A pergunta que fica: depois de 13 anos, o BTG voltou na hora certa ou tarde demais?

"Enxergamos a Ambev negociando com valuation atrativo e com fundamentos operacionais melhorando gradualmente" — Thiago Duarte, analista do BTG Pactual

Uma coisa é certa: enquanto você decide se compra ou não a ação, os bilionários do ranking brasileiro já estão do lado de dentro desse jogo há décadas. E continuam ganhando — com você bebendo ou investindo.

Fernando Andrade Villela

Fernando Andrade Villela

Investigador financeiro. Cobre offshores, patrimônio declarado vs. real, e o cruzamento entre política e mercado.