R$ 5 bi em carbono enquanto salário Congresso 2026 segue intocável

R$ 5 bi em carbono enquanto salário Congresso 2026 segue intocável
Foto: valor.globo.com

Enquanto o salário do Congresso 2026 continua blindado em R$ 44 mil mensais — fora penduricalhos —, parlamentares aprovam regulação que pode injetar R$ 5 bilhões em cinco anos no mercado de créditos de carbono. A pergunta que ninguém faz: quem vai embolsar essa grana?

O Valor Globo noticiou nesta segunda-feira que a nova regulamentação do mercado de carbono avançou no Congresso. Cinco bilhões em meia década. Parece muito? Compare: é menos que o custo anual da máquina do Legislativo, que devora R$ 12 bilhões por ano.

O Mercado Verde dos Mesmos de Sempre

Créditos de carbono funcionam assim: empresas que poluem compram permissão de quem preserva. Em tese, salva o planeta. Na prática, cria um mercado bilionário onde os mesmos grupos econômicos que sempre lucraram encontram nova fonte de renda.

A regulação aprovada estabelece regras para esse comércio no Brasil. Traduzindo: define quem pode vender, quem pode comprar, e principalmente, quem vai intermediar essas transações.

Bancos adoram intermediar. Consultorias adoram certificar. Fundos de investimento adoram especular.

Quanto Vale Não Desmatar?

Os R$ 5 bilhões projetados vêm principalmente da Amazônia e do Cerrado. Proprietários de terra que mantêm floresta em pé poderão vender créditos para multinacionais que precisam compensar emissões.

Soa justo até você descobrir que grandes fazendeiros e empresas de celulose já posicionaram milhões de hectares para dominar esse mercado. O pequeno agricultor? Esse vai precisar de intermediário — que cobra caro.

Enquanto isso, o salário do Congresso 2026 já está garantido, com reajuste automático pela inflação. Sem discussão. Sem regulação. Apenas um carimbo.

Quem Está Por Trás

A pressão pela regulação vem de três frentes:

  • Grandes empresas que precisam mostrar metas ESG para investidores estrangeiros
  • Governos estaduais da Amazônia Legal querendo nova fonte de arrecadação
  • Bancos de investimento farejando comissões gordas

Nenhuma dessas frentes representa o brasileiro médio que paga impostos e assiste parlamentares votarem aumentos próprios sem constrangimento.

O Conflito Real

De um lado: mercado financeiro global exigindo ativos verdes. Do outro: população que mal consegue entender por que preservar floresta virou commodity enquanto serviços públicos definham.

A regulação passa. O dinheiro flui. Os mesmos de sempre lucram. E o salário do Congresso 2026? Esse está garantido, regulado e blindado desde sempre.

Cinco bilhões em cinco anos dá R$ 1 bilhão por ano. O Congresso gasta isso em quatro semanas. Mas é o mercado de carbono que vai salvar o Brasil.

Pode acreditar.

Isabela Guimarães Coutinho

Isabela Guimarães Coutinho

Editora de perfis. Escreve retratos de personagens do poder — do bilionário ao aliado invisível do Planalto.