Copa com 64 seleções: o plano bilionário que explode futebol
Enquanto brasileiros fazem malabarismo pra pagar ingresso de R$ 300 num estádio meia-boca, Gianni Infantino já planeja transformar a Copa do Mundo numa máquina ainda maior de fazer dinheiro. O presidente da Fifa quer expandir o torneio para 64 seleções. Sim, você leu certo: 64.
A primeira Copa com 48 times acabou em julho. Mas Infantino já foi à TV suíça durante o próprio torneio falar do próximo passo. Expandir é sempre expandir na cabeça do suíço. Mais jogos, mais países, mais patrocinadores. Mais bilhões.
A matemática do ouro
Vamos aos números. A Copa de 2022, com 32 seleções, gerou US$ 7,5 bilhões em receita pra Fifa. US$ 7,5 bilhões. Com B de Brasília mesmo.
A de 2026, já ampliada pra 48 times, deve passar dos US$ 11 bilhões. Com 64 seleções? Especialistas estimam algo entre US$ 15 e US$ 18 bilhões. Dinheiro suficiente pra comprar metade dos clubes brasileiros e ainda sobrar pra um iate.
Quem embolsa essa fortuna? Principalmente a própria Fifa, emissoras de TV e patrocinadores gigantes. Quem paga? O torcedor comum, claro. Sempre ele.
Poder e dinheiro em campo
Infantino não é bobo. Ele sabe que expandir a Copa significa expandir sua própria influência. Mais países participando significa mais votos nas eleições da Fifa. Mais federações aliadas. Mais poder concentrado em Zurique.
O esquema é simples: você promete vaga na Copa pra seleções que nunca sonharam pisar num Mundial. Em troca, ganha apoio político eterno. É a velha política do poder travestida de bola.
A justificativa oficial? "Democratizar o futebol". A real? Inflacionar contratos de transmissão e patrocínio até o limite. Cada jogo a mais significa milhões extras em direitos de TV. Cada seleção nova é um mercado virgem pra explorar.
O que muda na prática
Uma Copa com 64 seleções teria pelo menos 104 jogos. Contra 64 da Copa de 32 times. Quase o dobro de partidas. Quase o dobro de ingressos vendidos. Quase o dobro de cerveja consumida nos estádios.
Os calendários dos clubes? Explodidos. Jogadores das grandes ligas europeias já reclamam de exaustão. Com mais jogos, a tendência é que lesões aumentem e a qualidade técnica caia.
Mas isso importa quando há bilhões na mesa?
Quem ganha e quem perde
Ganha: a Fifa, as emissoras, os patrocinadores, as federações pequenas que embolsam participação.
Perde: o torcedor que vai pagar mais caro, os clubes que perdem jogadores por mais tempo, a qualidade do espetáculo que fica diluída.
É o futebol virando produto puro. Pasteurizado. Processado. Embalado pra consumo em massa.
Brasília no mapa
No Brasil, o assunto interessa especialmente a quem transita entre poder e dinheiro em Brasília. A CBF já se posiciona como aliada histórica de Infantino. Não por acaso: quanto maior a Copa, maior a fatia brasileira no bolo.
Parlamentares ligados ao futebol também já começam a fazer contas. Sediar jogos de uma Copa gigante significa obras, investimentos, propinas... ops, "comissões".
Infantino ainda não bateu o martelo. Mas quem conhece o suíço sabe: ele não solta balão de ensaio. Ele testa o terreno. E quando o terreno se mostra fértil pra lucro, ele planta.
Copa com 64 seleções não é questão de "se". É questão de "quando".