Dividendos do FGTS: R$ bilhões enquanto ricos do Congresso lucram
Enquanto trabalhadores com carteira assinada ganham migalhas de juros no FGTS, o Fundo de Garantia acumulou lucros bilionários em 2025. Agora, o governo Lula quer distribuir 90% dessa montanha de dinheiro — mas há quem não goste da ideia.
A proposta apresentada pelo Ministério do Trabalho promete colocar dinheiro no bolso de milhões de brasileiros que vivem do salário. O problema? Precisa passar pelo crivo do Conselho Curador do FGTS, onde parlamentares e empresários têm assento garantido.
Quanto vale o bolo
Os números impressionam. O FGTS opera com um patrimônio que ultrapassa R$ 600 bilhões. Os rendimentos anuais chegam facilmente à casa dos bilhões. Distribuir 90% desse lucro significaria injetar uma fortuna na economia — dinheiro que iria direto para quem realmente precisa.
Mas há um detalhe: os 10% restantes ficariam retidos para garantir a saúde financeira do Fundo. Uma reserva de segurança que, convenhamos, já existe em níveis robustos.
Quem está contra
A proposta agora vai para análise do grupo técnico do Conselho Curador. É ali que mora o perigo. O colegiado reúne representantes do governo, dos trabalhadores e — pasmem — dos empregadores.
Historicamente, propostas que beneficiam a massa de trabalhadores enfrentam resistência feroz quando passam por conselhos onde os ricos do Congresso e empresários têm voz ativa. O argumento sempre é o mesmo: "prudência fiscal", "sustentabilidade do Fundo", "riscos para o futuro".
Traduzindo: preferem que o dinheiro fique rendendo nos cofres, financiando obras de infraestrutura que beneficiam empreiteiras, a chegar na conta do João e da Maria.
O jogo de interesses
Não é coincidência que o FGTS seja um dos fundos mais cobiçados do país. Com mais de meio trilhão de reais em caixa, ele financia desde habitação popular até grandes projetos de saneamento básico. Mexer nessa estrutura incomoda muita gente poderosa.
Os ricos do Congresso sabem que distribuir dividendos significa menos recursos disponíveis para direcionar a projetos específicos — aqueles que, por acaso, beneficiam suas bases eleitorais ou aliados empresariais.
Precedente perigoso
Se a proposta passar, será um marco histórico. Pela primeira vez, trabalhadores receberiam dividendos do FGTS de forma sistemática, como acionistas de uma empresa. Isso muda a lógica do Fundo: de cofre do governo para instrumento de redistribuição de renda.
Para a elite econômica, isso soa como alarme vermelho. Afinal, se o FGTS começa a distribuir lucros, por que não outros fundos públicos? Por que não as estatais lucrativas?
O que vem por aí
A proposta está nas mãos do grupo técnico. Depois, precisa da aprovação do Conselho Curador completo. Só então vira realidade. O caminho é longo e cheio de armadilhas.
Enquanto isso, os trabalhadores seguem com seus R$ 50, R$ 100 por mês de rendimento no FGTS — uma taxa que mal cobre a inflação. Do outro lado, parlamentares e empresários continuam decidindo o destino de centenas de bilhões.
O conflito está posto: governo versus elite econômica. Trabalhadores versus controladores do capital. E no meio, como sempre, bilhões de reais em disputa.