Dólar cai a R$ 5,07: o que Brasília ganha com a paz no Oriente
Enquanto você pagava R$ 6,50 no pão francês, o dólar despencou para R$ 5,07 nesta terça (21). Queda de 0,31% em um único dia. O motivo? A possibilidade de Irã e Israel pararem de se atacar por algumas semanas.
Simples assim: menos tensão no Oriente Médio, mais dinheiro circulando para países como o Brasil. Os investidores acordaram otimistas e resolveram arriscar em mercados emergentes.
Quem ganha com o dólar mais barato
A resposta está em Brasília. E tem nome e sobrenome.
Primeiro, o governo Lula respira. Dólar alto significa inflação. Inflação significa juros altos. Juros altos significam menos dinheiro para gastar em ano eleitoral. Com a moeda americana caindo, a Esplanada dos Ministérios ganha margem de manobra.
Segundo, os grandes importadores agradecem. Multinacionais que trazem insumos de fora viram seus custos derreterem. Quem importa tecnologia, medicamentos e componentes industriais está brindando.
Terceiro, e mais importante: o mercado financeiro paulista embolsa a diferença. Fundos que apostaram na queda do dólar fizeram fortuna em poucas horas.
O lado podre da história
Mas nem tudo é festa. Exportadores estão com a cara amarrada.
O agronegócio, que domina o Congresso Nacional, vende em dólar e paga funcionários em real. Dólar baixo significa menos lucro. Menos lucro significa menos doação para campanha. Menos doação significa deputados e senadores nervosos.
A briga já começou nos bastidores. De um lado, a equipe econômica de Fernando Haddad celebra. Do outro, a bancada ruralista reclama que o governo "torce contra quem produz".
O cessar-fogo que vale bilhões
A expectativa de trégua entre Irã e Israel surgiu de conversas secretas mediadas pelos Estados Unidos. Nada está assinado. Nada está garantido.
Mas bastou o rumor para movimentar US$ 380 bilhões em operações de câmbio pelo mundo nesta terça. Desse total, R$ 18 bilhões passaram pelo Brasil.
Traders de grandes bancos em São Paulo ficaram grudados nas telas desde a abertura do mercado. A ordem era clara: aproveitar a janela de oportunidade antes que algum general iraniano ou ministro israelense estrague a festa com uma declaração incendiária.
O jogo real de Brasília
Nos corredores do Planalto, a queda do dólar é vista como alívio temporário. Ninguém acredita que a moeda vai continuar abaixo de R$ 5,10 por muito tempo.
O ministro da Fazenda sabe disso. Por isso está correndo contra o relógio para aprovar o pacote de corte de gastos. Precisa mostrar que o Brasil tem responsabilidade fiscal antes que o dólar volte a subir.
Enquanto isso, o Banco Central segue seu roteiro: manter a taxa Selic nas alturas para segurar a inflação. O presidente da autarquia, Gabriel Galípolo, não se deixa impressionar por oscilações de um dia.
Quanto tempo dura a paz
Analistas do mercado financeiro apostam em no máximo duas semanas de trégua. Depois disso, as tensões voltam.
E quando voltarem, o dólar pode disparar de novo. Talvez para R$ 5,20. Talvez para R$ 5,30.
O que importa agora: quem tem dinheiro em Brasília já está posicionado. Já comprou proteção. Já fez hedge.
O resto da população vai descobrir o efeito no supermercado. Como sempre.