Petrolífera estrangeira avança sobre empresa brasileira em leilão bilionário

Petrolífera estrangeira avança sobre empresa brasileira em leilão bilionário
Foto: moneytimes.com.br

Uma petroleira estrangeira está a um passo de botar as mãos em mais uma empresa brasileira. E o leilão que vai decidir isso movimenta cifras que fariam até os ricos do Congresso perderem o sono.

A Ecopetrol, gigante colombiana controlada pelo governo de Bogotá, reapresentou nesta segunda-feira (20) o edital para comprar o controle da Brava Energia (BRAV3). A oferta pública de aquisição (OPA) havia sido travada, mas agora ganhou luz verde da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

O leilão foi remarcado para agosto. E não estamos falando de trocados.

Quanto vale a briga

A Brava Energia é dona de campos de petróleo e gás no Brasil. Nasceu da fusão entre 3R Petroleum e Enauta, operação que criou uma das maiores independentes do setor no país.

Agora, os colombianos querem o controle. A Ecopetrol já é acionista da companhia e quer aumentar sua fatia através da OPA obrigatória — aquele tipo de oferta que precisa ser feita quando alguém passa de determinado percentual de participação.

O cronograma foi todo atualizado após o aval da CVM. O mercado agora aguarda os próximos passos.

Quem está por trás

Do lado colombiano: a Ecopetrol é uma estatal. Sim, o governo da Colômbia controlando ativos estratégicos de petróleo no Brasil.

Do lado brasileiro: acionistas da Brava que precisam decidir se vendem ou não suas posições. Entre eles, fundos de investimento e gestoras que apostaram na tese de crescimento da empresa.

A guerra não é entre David e Golias. É entre Golias e Golias.

O interesse real

Por que uma petroleira colombiana quer tanto uma empresa brasileira? Simples: reservas provadas, campos em produção e posicionamento estratégico.

A Brava tem ativos no pré-sal e em águas rasas. É exatamente o tipo de ativo que faz os olhos de qualquer petroleira brilharem — ainda mais com petróleo cotado em patamares elevados.

Para a Ecopetrol, significa diversificação geográfica e acesso a um dos mercados mais promissores da América Latina. Para os acionistas brasileiros, significa uma decisão: aceitar a oferta ou apostar que podem ganhar mais mantendo as ações.

O que vem pela frente

Com o edital reapresentado, o relógio começou a contar. O leilão está marcado para agosto.

Até lá, acionistas vão calcular se o preço oferecido compensa. Analistas vão dissecar cada vírgula do edital. E o mercado vai especular sobre o desfecho.

Uma coisa é certa: bilhões de reais estão sobre a mesa. E quando tem dinheiro grosso em jogo, ninguém pisca primeiro.

A Brava Energia não comentou a movimentação além do comunicado oficial ao mercado. A Ecopetrol segue no modo silencioso, deixando o edital falar por si.

Enquanto isso, investidores comuns assistem de camarote a uma disputa onde os lances mínimos são maiores que o PIB de cidades inteiras.

Isabela Guimarães Coutinho

Isabela Guimarães Coutinho

Editora de perfis. Escreve retratos de personagens do poder — do bilionário ao aliado invisível do Planalto.