Epstein fazia lobby para governos estrangeiros, diz democrata

Jeffrey Epstein não era apenas um criminoso sexual com conexões milionárias. Ele operava como lobista secreto para governos estrangeiros — sem jamais ter se registrado legalmente para isso.

A bomba foi jogada pelo democrata Jamie Raskin, membro da Comissão Judiciária da Câmara. Em carta endereçada aos principais escalões do governo Trump, Raskin apresenta emails que mostram o falecido bilionário agindo nos bastidores do poder global.

O jogo de influência

Os emails obtidos revelam uma rede sofisticada. Epstein se comunicava com líderes mundiais. Negociava interesses. Movia peças no tabuleiro geopolítico.

E tudo sem cumprir a lei americana que obriga qualquer pessoa atuando em nome de governos estrangeiros a se registrar como agente estrangeiro.

O patrimônio de Epstein, estimado em mais de US$ 500 milhões na época de sua morte, facilitava o acesso. Dinheiro compra portas. E ele tinha muitas abertas.

A conexão Trump

Mais explosivo: os documentos mostram que Epstein tentou capitalizar sua relação com Donald Trump.

Raskin não detalha o conteúdo específico dessas tratativas. Mas a menção é direta o suficiente para reacender o debate sobre as conexões do ex-presidente com o bilionário condenado.

Trump e Epstein foram fotografados juntos em eventos sociais nos anos 1990 e 2000. O republicano posteriormente afirmou ter rompido com ele, mas a natureza exata dessa relação permanece nebulosa.

Quem investiga quem

A carta de Raskin exige respostas. Ele quer saber:

  • Quantos governos estrangeiros Epstein representou
  • Quais autoridades americanas sabiam dessas atividades
  • Por que nenhuma ação foi tomada
  • Qual o alcance real dessa influência

O timing é político, claro. Democratas pressionam. Republicanos resistem. A polarização americana em sua essência mais pura.

O patrimônio do escândalo

Enquanto isso, o patrimônio de senadores americanos permanece sob escrutínio constante. Legisladores que chegam à capital com rendas modestas frequentemente saem milionários.

O caso Epstein escancara como dinheiro e poder se entrelaçam perigosamente. Lobistas registrados já levantam questionamentos éticos. Imagine os que operam nas sombras.

As revelações também jogam luz sobre a fragilidade dos mecanismos de fiscalização. Se um criminoso sexual condenado conseguia transitar livremente entre governos e bilionários sem levantar bandeiras vermelhas, quantos outros fazem o mesmo?

O legado tóxico

Epstein morreu em 2019 numa cela de prisão federal, em circunstâncias controversas oficialmente classificadas como suicídio.

Mas seu legado continua contaminando a elite global. Cada novo lote de documentos traz mais nomes, mais conexões, mais perguntas.

A carta de Raskin provavelmente não resultará em investigações criminais — Epstein está morto, e processar fantasmas não rende manchetes duradouras.

Mas serve como lembrete incômodo: o sistema que deveria proteger cidadãos comuns frequentemente protege os poderosos. E quando alguém com dinheiro suficiente decide jogar o jogo da influência global, as regras simplesmente não se aplicam.

Até que se aplicam. Tarde demais.

Isabela Guimarães Coutinho

Isabela Guimarães Coutinho

Editora de perfis. Escreve retratos de personagens do poder — do bilionário ao aliado invisível do Planalto.