R$ 141 bi travados: Fazenda emperra crédito rural barato
Enquanto o agronegócio movimenta R$ 2,6 trilhões por ano no Brasil, produtores rurais estão pagando juros mais altos porque o Ministério da Fazenda não publicou uma portaria. Uma simples portaria.
Três semanas depois do lançamento do Plano Safra 2026/2027, R$ 141,4 bilhões em linhas de financiamento subsidiadas seguem trancados. O dinheiro existe. Foi anunciado com pompa. Mas não pode ser acessado.
O problema? A Fazenda não autorizou o pagamento da equalização de juros pelo Tesouro Nacional. Sem essa autorização, bancos e cooperativas não podem ofertar o crédito mais barato.
O custo da demora
Na prática, agricultores estão recorrendo a linhas com juros livres ou controlados sem subvenção federal. Pagam mais caro. Muito mais caro.
Outros R$ 10 bilhões da nova linha Move Agricultura — destinada à compra de máquinas e equipamentos — também estão parados. Falta regulamentação.
Do total de R$ 610,3 bilhões anunciados para este ciclo produtivo, apenas as linhas sem equalização estão disponíveis. As mais caras, obviamente.
Timing é dinheiro
Produtores reclamam da falta de tempestividade. No agro, timing é tudo. Plantio tem janela. Perder o momento ideal significa perder produtividade. Perder receita.
"A demora compromete o planejamento da safra", dizem representantes do setor.
O Plano Safra foi lançado em junho. Estamos em julho. A burocracia segue seu ritmo próprio enquanto o calendário agrícola não espera.
Quem paga a conta?
A equalização de juros funciona assim: o governo paga a diferença entre a taxa de mercado e a taxa subsidiada oferecida ao produtor. É uma subvenção direta.
O Tesouro Nacional tem os recursos. O Plano foi aprovado. Mas a portaria que autoriza o pagamento não foi publicada.
Enquanto isso, produtores pagam juros mais altos. Bancos não podem ofertar o crédito subsidiado. E a safra espera.
Os números do agro travado
- R$ 141,4 bilhões em crédito subsidiado travados
- R$ 10 bilhões do Move Agricultura sem regulamentação
- R$ 610,3 bilhões anunciados no total para o Plano Safra
- 3 semanas de atraso desde o lançamento
O Brasil é potência agrícola. Exporta commodities para o mundo inteiro. Mas não consegue publicar uma portaria a tempo.
No final, quem paga a diferença são os produtores. E, por tabela, o consumidor que vai encontrar os custos repassados lá na frente.
Burocracia tem preço. E esse preço está sendo cobrado agora, enquanto uma portaria segue engavetada em Brasília.