Flávio Bolsonaro fica sem vice: Tereza Cristina recusa
Enquanto bilionários do agronegócio ajustam seus portfólios políticos para 2026, Flávio Bolsonaro acaba de levar um não. E não foi de qualquer um.
Tereza Cristina, senadora do PP-MS e rainha do lobby ruralista, recusou ser vice na chapa presidencial do filho 01 de Jair Bolsonaro. O veto veio direto. Sem rodeios.
Valdemar Costa Neto, presidente do PL e articulador das alianças que movimentam milhões em fundos partidários, admitiu nesta terça-feira (21) que a negociação naufragou.
"Não houve acordo", resumiu Valdemar. "Ela me disse hoje que é candidata à Presidência do Senado."
O que estava em jogo
Tereza Cristina não é apenas mais uma senadora. Ela representa o dinheiro do campo — o setor que movimentou R$ 2,6 trilhões em 2024 e coloca brasileiros no ranking dos bilionários mundiais.
Foi ministra da Agricultura de Bolsonaro pai. Tem trânsito com gigantes do setor: JBS, Bunge, Cargill. Seu endosso vale ouro eleitoral nas regiões produtoras.
Para Flávio, seria o casamento perfeito: sobrenome pesado mais força econômica real.
Mas política não é álgebra. E Tereza escolheu outro jogo.
Por que ela disse não
A senadora mira algo mais tangível: a presidência do Senado Federal. O cargo que controla a pauta, distribui emendas e decide o que vira lei no país.
Poder real. Imediato. Sem depender de eleição popular em 2026.
Disputar a Presidência ao lado de Flávio significaria jogar tudo numa aposta arriscada. Pesquisas mostram o clã Bolsonaro patinando em intenção de voto.
Tereza fez as contas. Preferiu o certo ao duvidoso.
Valdemar e o xadrez do PL
O fracasso expõe Valdemar. Ele que manobra R$ 886 milhões do fundo eleitoral do PL — a maior fatia entre todos os partidos — não conseguiu fechar uma aliança básica.
O presidente do PL agora precisa recalcular a rota. Flávio segue como pré-candidato, mas sem um vice à altura. Sem conexão com o agronegócio. Sem a legitimidade que Tereza traria.
Nos bastidores, parlamentares comentam: se Valdemar não emplacou Tereza, quem mais do PP toparia embarcar?
O recado do agro
A recusa de Tereza Cristina manda uma mensagem clara ao bolsonarismo: o setor rural, que enriqueceu bilionários brasileiros e sustenta o superávit da balança comercial, não está automaticamente alinhado.
Eles querem resultados. Querem quem governa de fato.
E, por enquanto, Flávio Bolsonaro não convenceu.
Resta ao filho 01 buscar outro nome. Outra estratégia. Ou aceitar que 2026 pode ser bem mais difícil do que o sobrenome sugere.
"Não houve acordo. Ela vai disputar a presidência do Senado." — Valdemar Costa Neto
Enquanto isso, Tereza Cristina segue seu caminho. Calculista. Pragmática. E, aparentemente, sem dever favores a ninguém.
Nem aos Bolsonaro.