Frigoríficos faturam US$ 10 bi e bilionários da carne crescem
Enquanto você paga R$ 50 no quilo do contrafilé no açougue da esquina, os donos dos frigoríficos brasileiros acabam de embolsar US$ 9,9 bilhões — quase R$ 50 bilhões — vendendo carne para fora. Só no primeiro semestre.
O número é recorde. Cresceu 33,4% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo). Em volume, foram 1,8 milhão de toneladas embarcadas para o exterior. Alta de 7,3%.
Faça as contas: receita sobe 33%, volume sobe apenas 7%. A diferença? Preço internacional nas alturas. E dólar valorizado enchendo o bolso de quem exporta.
Os bilionários por trás dos frigoríficos
Não é segredo quem lucra com essa bonança. Os maiores frigoríficos do Brasil pertencem a algumas das famílias mais ricas do país, presença garantida em qualquer ranking de bilionários brasil.
A JBS, gigante do setor, pertence à família Batista. Joesley e Wesley Batista acumulam fortunas estimadas em bilhões de dólares. A Marfrig, de Marcos Molina, é outra potência. A Minerva Foods, dos irmãos Vilela de Queiroz, completa o pódio.
Essas três empresas sozinhas controlam fatia gigantesca do mercado. E todas abriram capital na bolsa — o que significa: quanto melhor o resultado, mais gordo o lucro dos controladores.
China paga a conta
O principal destino da carne brasileira? China. O gigante asiático absorve mais da metade das exportações. Em segundo lugar, Emirados Árabes Unidos. Depois, Estados Unidos.
O brasileiro médio virou espectador. Consome as sobras. Ou paga caro pela mesma carne que sai de graça (comparativamente) para Xangai e Dubai.
É simples: dólar alto torna a exportação irresistível. Por que vender no mercado interno se o cliente externo paga mais e em moeda forte?
O que significa para o seu bolso
A matemática é cruel. Com frigoríficos priorizando exportação, sobra menos carne para o mercado brasileiro. Menos oferta, mais procura. Resultado: preço explode.
Dados do IBGE mostram que a carne bovina subiu mais que a inflação nos últimos meses. O churrasco de domingo virou artigo de luxo para milhões de famílias.
Enquanto isso, os balanços trimestrais das gigantes do setor estampam lucros recordes. Ações em alta. Dividendos polpudos para acionistas.
Abrafrigo comemora, consumidor chora
A Abrafrigo, que representa os frigoríficos, festeja os números. Fala em "pujança do agronegócio brasileiro", "competitividade internacional", "geração de empregos".
Verdade. O setor emprega milhares. Movimenta a economia. Traz dólares.
Mas a outra face da moeda é o brasileiro que desistiu da picanha. Que trocou carne vermelha por frango. Ou por ovo. Ou por nada.
Os US$ 9,9 bilhões representam o maior patamar já registrado para um primeiro semestre. A Abrafrigo projeta fechar 2025 com mais de US$ 20 bilhões em exportações.
Ótimo para a balança comercial. Excelente para o ranking de bilionários. Péssimo para quem só queria um bife no prato.
"O Brasil é celeiro do mundo. Pena que o brasileiro ficou sem ceia."
No final, é sempre a mesma história. Commodities vão para fora. Lucros ficam com poucos. A conta chega para muitos.