General americano quer tropas no Irã: quem manda no Brasil?

Enquanto você paga R$ 6,50 no litro da gasolina, um general aposentado americano sentado em Washington decide que quer mandar tropas para o Irã. Keith Kellogg, tenente-general reformado, foi direto ao ponto na segunda-feira: os Estados Unidos precisam colocar botas no chão em território iraniano. Agora.

O recado é simples. Kellogg quer cinco mudanças imediatas na estratégia americana no Oriente Médio. A primeira: trocar toda a equipe de negociadores dos EUA. A segunda: soldados americanos em solo iraniano.

O Homem por Trás do Pedido

Keith Kellogg não é um qualquer. Ex-assessor de segurança nacional, circulou pelos corredores do poder em Washington por décadas. Hoje, fora da ativa, continua com acesso privilegiado aos microfones que importam.

Sua declaração vem em momento crítico. As tensões entre Washington e Teerã escalaram nas últimas semanas. Kellogg argumenta que "a guerra mudou" e que a diplomacia atual falhou.

"Olha, há cerca de cinco coisas que deveríamos estar fazendo agora, porque a guerra mudou no Irã", disse Kellogg.

Quanto Custa Uma Guerra

Os números são brutais. A guerra do Iraque custou aos contribuintes americanos US$ 2 trilhões — cerca de R$ 11 trilhões em valores atuais. Mais de 4.500 soldados americanos mortos. E isso foi apenas no Iraque.

Uma operação militar no Irã seria exponencialmente mais cara. O país tem 88 milhões de habitantes, território três vezes maior que o Iraque e capacidade militar vastamente superior.

E o Brasil Nisso?

A pergunta que ninguém faz em Brasília: quem manda no Brasil quando os Estados Unidos decidem ir à guerra?

Historicamente, o Brasil seguiu a cartilha americana em conflitos globais. Na Segunda Guerra, mandamos pracinhas. Na Guerra Fria, alinhamento automático. Hoje, com o comércio bilateral de US$ 40 bilhões anuais, a margem de manobra é estreita.

Se Washington apertar o botão vermelho contra o Irã, Brasília terá que escolher lado. E escolher lado significa:

  • Possível embargo ao petróleo iraniano que ainda chega ao Brasil
  • Pressão para romper relações diplomáticas com Teerã
  • Alinhamento automático na ONU
  • Impacto direto no preço dos combustíveis aqui

O Jogo de Poder Real

Kellogg não está sozinho. Ele representa uma ala do establishment de segurança americana que nunca digeriu o acordo nuclear com o Irã. Para eles, só há uma linguagem que Teerã entende: força militar.

O problema é que quem paga a conta não são os generais reformados em seus escritórios confortáveis. São os contribuintes americanos. E, por tabela, países como o Brasil que dependem da estabilidade global para não ver a economia derreter.

A proposta de Kellogg inclui ainda mudança completa na equipe de negociadores, endurecimento de sanções e pressão sobre aliados do Irã na região. Tudo isso enquanto o petróleo já flerta com US$ 90 o barril.

No fim, a pergunta permanece: quando generais americanos pedem guerra, quem realmente manda no Brasil? A resposta está no preço que você paga na bomba de gasolina.

Carolina Pereira Ferraz

Carolina Pereira Ferraz

Cronista de poder e dinheiro. Ex-Forbes Brasil, ex-Piauí. Especializada em rankings de riqueza, dinastias políticas e herdeiros do poder.