Green card de Eduardo Bolsonaro: privilégio que ricos do Congresso compram

Green card de Eduardo Bolsonaro: privilégio que ricos do Congresso compram
Foto: moneytimes.com.br

Enquanto milhões de brasileiros esperam anos na fila do visto americano, Eduardo Bolsonaro conseguiu o green card em tempo recorde. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro confirmou à Reuters nesta segunda-feira que obteve residência permanente nos Estados Unidos.

A notícia chega em momento estratégico: Eduardo foi condenado à prisão no Brasil e vive nos EUA desde janeiro de 2025. Coincidência? Improvável.

O privilégio tem nome e sobrenome

Eduardo não é deputado qualquer. Durante seu mandato, integrou a seleta lista dos ricos do Congresso, com patrimônio declarado que impressiona. Agora, com portas abertas em solo americano e sua proximidade notória com Donald Trump, ele garante um plano B dourado enquanto a Justiça brasileira o aguarda.

O green card americano é sonho de consumo para milhões. Mas para quem tem as conexões certas, o processo acelera misteriosamente.

Timing suspeito

A sequência dos fatos levanta questões:

  • Janeiro de 2025: Eduardo se muda para os EUA
  • Recebe condenação à prisão no Brasil
  • Março de 2025: green card aprovado

Processos de residência permanente costumam levar anos. Eduardo conseguiu em semanas. A explicação oficial? Nenhuma até o momento.

A porta giratória dos poderosos

Eduardo segue cartilha conhecida entre ricos do Congresso: problemas na Justiça brasileira, solução no exterior. O green card funciona como apólice de seguro para quem pode pagar o prêmio — seja em dinheiro, influência ou ambos.

Sua relação com Trump, cultivada durante anos, agora rende dividendos práticos. Enquanto o presidente americano intensifica retórica anti-imigração, Eduardo recebe tapete vermelho.

Quanto vale uma residência americana?

O mercado de vistos EB-5, modalidade para investidores, exige aplicação mínima de US$ 800 mil a US$ 1 milhão. Há caminhos mais rápidos para quem conhece gente certa em Washington.

Eduardo não confirmou qual categoria de green card obteve. O silêncio sobre detalhes técnicos alimenta especulações sobre tratamento preferencial.

Brasil no retrovisor

Com residência permanente garantida, Eduardo pode trabalhar legalmente nos EUA e circular livremente. A condenação brasileira vira problema distante, quase abstrato.

Para o brasileiro médio, com salário de R$ 3 mil e passaporte fraco, os EUA são destino de férias parceladas. Para ricos do Congresso como Eduardo, é plano de contingência ativado com um telefonema.

A diferença entre ter conexões e não ter nunca foi tão evidente. Enquanto isso, a fila do consulado americano em São Paulo continua com espera de meses para agendamento.

Eduardo Bolsonaro representa a elite política que sempre tem saída de emergência. O green card é apenas o carimbo oficial dessa realidade.

O ex-deputado não comentou se pretende retornar ao Brasil para cumprir a condenação. Com residência americana no bolso, essa decisão fica muito mais confortável de postergar.

Carolina Pereira Ferraz

Carolina Pereira Ferraz

Cronista de poder e dinheiro. Ex-Forbes Brasil, ex-Piauí. Especializada em rankings de riqueza, dinastias políticas e herdeiros do poder.