Guerra bilionária: Assaí invade farmácias e ameaça império

Guerra bilionária: Assaí invade farmácias e ameaça império
Foto: exame.com

Enquanto você paga R$ 15 em um dipirona na farmácia da esquina, um grupo seleto de bilionários brasileiros trava uma guerra silenciosa por cada centavo do seu bolso. O Assaí acaba de abrir uma farmácia dentro de suas lojas. E isso não é sobre remédio — é sobre poder.

O mercado farmacêutico brasileiro movimenta R$ 200 bilhões por ano. Dinheiro suficiente para colocar qualquer executivo no ranking de bilionários do Brasil. Agora, o Assaí Atacadista, do Grupo Pão de Açúcar, quer sua fatia.

O império contra-ataca

A estratégia é brutal na simplicidade: colocar farmácia dentro do supermercado. Você vai comprar arroz, sai com amoxicilina. O Assaí Farma já funciona em unidades selecionadas. A promessa? Preços que fazem as redes tradicionais tremerem.

Do outro lado do ringue: Raia Drogasil, Pague Menos, Panvel. Empresas que faturam bilhões e cujos controladores figuram entre os mais ricos do país. Eles não vão entregar o jogo fácil.

Mercado Livre entra na briga

Como se não bastasse, o Mercado Livre decidiu que também quer vender remédio. A gigante do e-commerce, avaliada em dezenas de bilhões de dólares, aposta na entrega rápida. Em algumas capitais, medicamento chega em menos de duas horas.

A pergunta que vale milhões: quem vai dominar a farmácia do brasileiro?

Os números que importam

A conta é simples. O brasileiro médio gasta R$ 1.200 por ano em medicamentos. Multiplique por 215 milhões de habitantes. Agora entende porque bilionários estão se matando por esse mercado?

O Assaí tem um trunfo: capilaridade. São centenas de lojas espalhadas pelo país, especialmente onde mora gente que conta moeda. Público que escolhe por preço, não por marca.

Conveniência vale ouro

A estratégia do Assaí Farma é óbvia: transformar conveniência em lucro. Você já está na loja comprando frango e feijão. Por que não levar o xarope da criança também?

As redes tradicionais apostam em outro cavalo: programas de fidelidade. Pontos que viram desconto. Aplicativos que lembram de tomar remédio. A guerra não é só de preço — é de dados do consumidor.

Quem vai sangrar primeiro

As farmácias pequenas, familiares, de bairro, estão na mira. Elas não têm músculo financeiro para competir. Não conseguem preço de atacado. Não têm app com inteligência artificial.

O pequeno comerciante, que já enfrenta margem apertada, agora vê gigantes bilionários cercando seu negócio por todos os lados. Supermercado à esquerda, e-commerce à direita, rede grande na frente.

O jogo do bilhão

No fim, essa guerra não é sobre saúde pública. É sobre market share. Sobre qual bilionário vai adicionar mais zeros à conta bancária. Sobre quem vai controlar o que entra na sua casa.

O Assaí Farma é apenas o começo. Outros atacadistas já estudam o movimento. O Atacadão, da família Diniz, observa atento. O Makro avalia. Todos querem o mesmo: seu dinheiro.

E você, consumidor comum, fica no meio do tiroteio. Talvez pague mais barato. Talvez tenha mais opção. Mas com certeza vai enriquecer alguém que já tem muito.

A farmácia do futuro não tem balcão com atendente simpático. Tem corredor de supermercado, código de barras e estratégia de bilionários.

Isabela Guimarães Coutinho

Isabela Guimarães Coutinho

Editora de perfis. Escreve retratos de personagens do poder — do bilionário ao aliado invisível do Planalto.