Guerra EUA-Irã: quanto custa ao contribuinte americano?

Guerra EUA-Irã: quanto custa ao contribuinte americano?
Foto: timesofisrael.com

Enquanto o americano médio ganha US$ 35 mil por ano, os Estados Unidos estão despejando bilhões de dólares em equipamento militar para o Oriente Médio. O Irã acabou de declarar estar em "guerra total" com Washington.

E você está pagando a conta.

O preço da guerra que ninguém pediu

Aviões de combate F-35 custam US$ 80 milhões cada. Destróieres classe Arleigh Burke, US$ 1,8 bilhão por unidade. Porta-aviões nucleares, US$ 13 bilhões. Tudo isso está sendo movimentado agora para a região enquanto mediadores tentam desesperadamente negociar uma trégua de 10 dias.

Dez dias. Esse é o prazo que separa uma escalada diplomática de algo muito pior.

Baixas escondidas do público

Um relatório recém-divulgado expõe o que o Pentágono não contou: há baixas americanas não reveladas oficialmente. Números exatos permanecem classificados, mas fontes de inteligência confirmam feridos em ataques de milícias pró-Irã.

O gabinete de segurança israelense deve se reunir nas próximas horas para avaliar a situação. Israel é o principal aliado americano na região — e historicamente, onde Israel entra, os EUA seguem com o talão de cheques aberto.

Quem lucra com a tensão

As ações da Lockheed Martin subiram 3,2% desde o início das tensões. A Raytheon Technologies registrou alta de 2,8%. Northrop Grumman, 4,1%.

Os fabricantes de armas estão em festa. O contribuinte, não.

"Estamos preparados para uma guerra mais ampla", disse fonte do Departamento de Defesa ao Times of Israel. Tradução: preparem os bolsos.

O jogo de xadrez bilionário

Washington está posicionando mais equipamento militar na região em preparação para o que fontes chamam de "guerra mais ampla". Não é retórica. É logística. Navios, aviões, mísseis, tropas.

Cada movimento tem um custo. E quem paga é sempre o mesmo: você.

O Irã, por sua vez, sabe exatamente o que está fazendo. Teerã não precisa vencer militarmente — precisa apenas sangrar os cofres americanos até que o apoio público evapore. É a estratégia da morte por mil cortes financeiros.

A trégua de 10 dias

Mediadores internacionais — rumores apontam Qatar e Omã — propuseram uma pausa de 10 dias nas hostilidades. A ideia é criar espaço para negociações mais amplas.

Mas 10 dias podem não significar nada se ambos os lados continuarem movendo peças no tabuleiro. O Irã já deixou claro que considera o conflito inevitável. Os EUA, ao reforçar presença militar, mandam a mesma mensagem.

Quanto isso vai custar?

A guerra do Afeganistão custou aos americanos US$ 2,3 trilhões em 20 anos. O Iraque, mais US$ 2 trilhões. Um conflito direto com o Irã — país três vezes maior que o Iraque em população e território — facilmente ultrapassaria essas marcas.

E isso sem contar as vidas. As baixas. Os veteranos que voltam quebrados.

Mas para CEOs de defesa e membros do Congresso com portfólios estratégicos, guerra é apenas outra linha no balanço trimestral.

A questão não é se haverá guerra. É quanto ela vai custar — e quem realmente vai pagar por ela.

Carolina Pereira Ferraz

Carolina Pereira Ferraz

Cronista de poder e dinheiro. Ex-Forbes Brasil, ex-Piauí. Especializada em rankings de riqueza, dinastias políticas e herdeiros do poder.