Guerra dos remédios de emagrecer: processo milionário expõe disputa

Guerra dos remédios de emagrecer: processo milionário expõe disputa
Foto: moneytimes.com.br

Enquanto os políticos mais ricos do Brasil debatem orçamento público, duas gigantes farmacêuticas travam uma guerra particular por um mercado que vale US$ 100 bilhões.

A dinamarquesa Novo Nordisk acabou de processar a americana Eli Lilly em Nova Jersey. A acusação? Propaganda enganosa nos remédios para emagrecer que viraram febre mundial.

É dinheiro contra dinheiro. Poder contra poder. E o consumidor no meio.

O que está em jogo

A Novo Nordisk alega que a Eli Lilly está enganando consumidores na disputa pelos lucros gordos dos medicamentos para perda de peso.

Do lado dinamarquês: o Ozempic e o Wegovy, que transformaram a empresa na maior da Europa em valor de mercado.

Do lado americano: o Mounjaro e o Zepbound, apostas bilionárias da Eli Lilly para dominar o segmento.

A ação judicial apresentada em tribunal distrital americano marca a escalada mais agressiva da briga até agora.

Por que isso importa

Este não é um processo qualquer entre empresas. É a disputa pelo controle do mercado farmacêutico mais lucrativo da década.

Celebridades usam. Influencers promovem. Clínicas de estética estouram de pedidos.

Os remédios originalmente criados para diabetes viraram o Santo Graal da perda de peso rápida. E legal.

O problema: faltam doses. Os preços são estratosféricos. E agora, segundo a Novo Nordisk, uma concorrente estaria usando táticas questionáveis para ganhar mercado.

A acusação em detalhes

A farmacêutica dinamarquesa não divulgou todos os detalhes da ação judicial. Mas o cerne da questão está claro: propaganda enganosa.

Em linguagem corporativa, isso significa acusar a rival de mentir — ou ao menos distorcer verdades — para convencer médicos e pacientes de que seus produtos são superiores.

A Eli Lilly ainda não se pronunciou oficialmente sobre o processo.

Quanto vale essa briga

Analistas estimam que o mercado de medicamentos para obesidade pode atingir US$ 100 bilhões anuais até 2030.

A Novo Nordisk domina hoje, mas a Eli Lilly cresceu agressivamente no último ano.

Cada ponto percentual de participação de mercado vale bilhões. Literalmente.

Por isso as duas companhias investem fortunas em marketing, lobbying e agora, aparentemente, em guerras jurídicas.

O lado obscuro da indústria

Enquanto farmacêuticas brigam por fatias de um bolo bilionário, milhões de diabéticos enfrentam desabastecimento dos mesmos remédios.

O Ozempic sumiu das prateleiras brasileiras. Médicos reclamam. Pacientes recorrem ao mercado paralelo.

Tudo porque a demanda estética explodiu e as fabricantes priorizaram mercados mais lucrativos.

Agora esse processo expõe outra face do negócio: até onde empresas estão dispostas a ir para garantir lucros.

O que vem por aí

O processo tramitará na Justiça americana. Pode levar anos.

Mas o mercado não espera. A Eli Lilly continua expandindo. A Novo Nordisk acelera produção.

E consumidores continuam pagando milhares de reais por mês para emagrecer com remédios que, tecnicamente, foram criados para outra finalidade.

Entre advogados, executivos e acionistas, uma certeza: nessa guerra, só há um perdedor garantido. E ele não está sentado em nenhuma sala de reuniões corporativa.

Isabela Guimarães Coutinho

Isabela Guimarães Coutinho

Editora de perfis. Escreve retratos de personagens do poder — do bilionário ao aliado invisível do Planalto.