Harvard sob fogo: Trump mira US$ 53 bilhões da elite
Enquanto o brasileiro médio rala por R$ 2.640 mensais, a Universidade Harvard senta sobre US$ 53 bilhões em patrimônio — e agora enfrenta a segunda investigação do governo Trump em meses.
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos anunciou nesta semana uma revisão dos programas de auxílio financeiro da instituição mais rica do planeta acadêmico. A acusação: favorecer estudantes chineses em detrimento de americanos.
O Alvo é a Elite Global
Harvard mantém programas baseados na China que, segundo investigadores federais, podem estar criando uma porta dos fundos para estudantes estrangeiros enquanto jovens americanos ficam de fora.
Não é a primeira vez que Trump mira a joia de Cambridge, Massachusetts. Semanas atrás, a universidade já estava na mira por protestos anti-Israel no campus. O padrão se repete: instituições que acumulam fortunas enquanto ditam agendas políticas.
Quem Manda Ali
Harvard responde a um conselho de curadores recheado de bilionários, CEOs de Wall Street e herdeiros de impérios industriais. O atual presidente interino é Alan Garber, médico e economista que ganhou US$ 1,1 milhão em 2022.
A universidade nega qualquer irregularidade. Em nota oficial, afirma que seus programas seguem "rigorosamente a legislação federal" e que está "cooperando plenamente" com a investigação.
O Jogo do Dinheiro
Os números impressionam:
- US$ 53 bilhões em endowment (fundo patrimonial)
- US$ 5,9 bilhões em receita anual
- Apenas 3,4% de taxa de aceitação — a mais seletiva do mundo
- Mensalidade: US$ 57 mil anuais (R$ 330 mil)
Enquanto isso, Harvard paga zero de impostos por ser instituição "sem fins lucrativos". A ironia não escapa a críticos: uma entidade que lucra bilhões anualmente enquanto seleciona quem entra e quem fica de fora.
China no Centro do Tabuleiro
Os programas investigados incluem iniciativas de Harvard na China continental, especialmente ligadas à Kennedy School of Government e à Business School. Autoridades americanas questionam se estudantes com conexões ao Partido Comunista Chinês recebem tratamento preferencial.
A Casa Branca de Trump deixou claro: universidades de elite que aceitam dinheiro federal (Harvard recebe US$ 600 milhões anuais em pesquisas financiadas pelo governo) precisam jogar pelas regras americanas.
Brasil e a Dança das Elites
O caso interessa ao Brasil porque expõe como funciona o poder global. Quem manda no brasil — e no mundo — frequentemente passou por Harvard, Stanford ou MIT. Nossos ministros da Fazenda, presidentes do Banco Central e CEOs de multinacionais carregam diplomas dessas instituições.
Quando Trump investiga Harvard, não está apenas fiscalizando uma universidade. Está cutucando a fábrica que produz a classe dirigente ocidental — incluindo aquela que toma decisões sobre economia, comércio e política externa que afetam Brasília.
A investigação deve durar meses. Harvard tem batalhões de advogados e décadas de experiência em driblar escrutínio governamental. Mas desta vez, o timing político é diferente: Trump faz da guerra cultural contra instituições liberais sua bandeira de 2024.
No fim, US$ 53 bilhões compram muita influência. Mas talvez não comprem imunidade para sempre.