Importados batem recorde e revelam jogo de poder e dinheiro

Importados batem recorde e revelam jogo de poder e dinheiro
Foto: valor.globo.com

Enquanto você ralava para pagar a conta do cartão, alguém em Brasília abriu as portas para um tsunami de produtos importados que acaba de bater o maior recorde da história. O valor? Números que fariam qualquer CEO de multinacional salivar.

A chamada "MP das blusinhas" — aquela que liberou compras de até 50 dólares sem imposto — virou o estopim para uma avalanche de mercadorias chinesas que inundou o país. E agora a conta está chegando. Não para quem comprou a blusa barata no marketplace. Para quem fabrica aqui dentro.

O jogo de Brasília

A indústria nacional está em pé de guerra. Federações empresariais acusam o Planalto de ter vendido o setor produtivo brasileiro para agradar consumidores e, principalmente, gigantes do e-commerce com operações na Ásia.

Do outro lado da mesa, o governo se defende: a medida teria barateado produtos para a população de baixa renda. Discurso bonito. Mas os números contam outra história.

As importações dispararam. Fábricas nacionais começaram a demitir. O déficit comercial aumentou. E Brasília? Brasília continua no jogo de sempre — escolher quem ganha e quem perde.

Quem lucra de verdade

Não se engane: por trás da "blusinha barata" existe uma estrutura bilionária. Plataformas de marketplace com conexões diretas na China movimentam fortunas. Lobistas transitam pelos corredores do Congresso. Deputados recebem doações de campanha.

Enquanto isso, o industrial brasileiro — aquele que emprega, paga imposto e mantém fábrica funcionando — vê seu mercado evaporar.

A conta é simples: produto importado sem imposto versus produto nacional tributado até a alma. Adivinha quem vence?

O lobby invisível

Fontes do mercado apontam que a pressão para manter a MP veio de setores específicos. Não foi coincidência. Foi estratégia.

Gigantes do varejo digital têm interesse direto na importação facilitada. Seus modelos de negócio dependem disso. E eles sabem como Brasília funciona: dinheiro fala, indústria nacional chora.

A Confederação Nacional da Indústria já soltou nota dura. Federações estaduais idem. Mas até agora, o Planalto finge que não ouve.

Brasília decide quem sobrevive

O recorde de importados não é acidente. É consequência de escolhas políticas deliberadas. Alguém em Brasília decidiu que era mais conveniente favorecer o comércio importador do que proteger a indústria local.

Pode chamar de modernização. Pode chamar de livre mercado. Mas no fim das contas, é poder decidindo onde o dinheiro vai circular.

E enquanto a elite política debate nos salões climatizados da capital, operários perdem emprego nas fábricas do interior. A conta, como sempre, fica para quem não tem lobby.

O Brasil bateu recorde. Mas de quê, exatamente? De importação ou de ingenuidade?

Isabela Guimarães Coutinho

Isabela Guimarães Coutinho

Editora de perfis. Escreve retratos de personagens do poder — do bilionário ao aliado invisível do Planalto.