Irã esconde centrífugas nucleares em montanha blindada

Irã esconde centrífugas nucleares em montanha blindada
Foto: timesofisrael.com

Enquanto dinastias políticas brasileiras brigam por emendas de alguns milhões, Teerã movimenta um jogo de trilhões — literalmente subterrâneo.

A inteligência de Israel acredita que o Irã transferiu suas centrífugas nucleares para dentro da Montanha Pickaxe no outono passado. A informação, revelada pelo Wall Street Journal, expõe uma escalada silenciosa na corrida armamentista do Oriente Médio.

Bunker sob 1.500 metros de rocha

As centrífugas — equipamentos que enriquecem urânio — agora estariam protegidas por camadas maciças de granito. O objetivo: tornar qualquer ataque aéreo inútil.

Israel contra Irã. Simples assim.

A mudança não foi detectada de imediato. Fontes da inteligência israelense só confirmaram a operação meses depois, segundo o jornal americano. O timing? Estratégico. Justo quando negociações nucleares patinavam.

Estreito de Hormuz vira campo de batalha

Como se o xadrez nuclear não bastasse, a Guarda Revolucionária do Irã anunciou que atacou dois petroleiros tentando cruzar o Estreito de Hormuz.

O estreito é a jugular do petróleo global. Um terço do petróleo transportado por mar passa por ali. Fechar essa passagem? O barril dispara. Mercados entram em pânico.

  • Primeiro tanque atingido na madrugada
  • Segundo petroleiro atacado horas depois
  • Nenhuma confirmação independente até o momento

Teerã alega que os navios violaram águas territoriais. Washington e Tel Aviv classificam como pirataria de Estado.

O preço da montanha

Construir instalações nucleares dentro de uma montanha custa caro. Estimativas não oficiais falam em US$ 2 bilhões — dinheiro que o Irã teoricamente não tem, pressionado por sanções há anos.

Mas tem. E gasta.

Compare: o orçamento anual de defesa do Irã gira em torno de US$ 25 bilhões. Investir quase 10% disso em um único projeto mostra prioridade. E paranoia.

"A transferência para Pickaxe é irreversível. Israel sabe que não pode bombardear. Agora é outra guerra." — Analista anônimo citado pelo WSJ

O que vem depois

Netanyahu enfrenta pressão doméstica e internacional. Atacar instalações iranianas sempre foi carta na mesa. Agora essa carta queimou.

Resta diplomacia — ou sabotagem.

Histórico recente: explosões misteriosas em instalações nucleares iranianas aconteceram em 2020, 2021 e 2023. Nenhuma reivindicada oficialmente. Todas atribuídas ao Mossad por analistas.

Cyberataques também. O vírus Stuxnet, em 2010, destruiu mil centrífugas. Assinatura digital: EUA e Israel.

Brasil na periferia do tabuleiro

E nós? O Brasil flerta com Teerã desde Lula 2, mantém relações diplomáticas e comerciais. Nada estratégico, mas simbólico.

Enquanto isso, dinastias políticas brasileiras seguem o teatrinho de sempre: CPI disso, comissão daquilo, briga por cargos em estatais.

Lá fora, nações investem bilhões em bunkers nucleares. Aqui, o bunker é a blindagem dos carros oficiais.

Diferença de escala. Diferença de ambição.

Isabela Guimarães Coutinho

Isabela Guimarães Coutinho

Editora de perfis. Escreve retratos de personagens do poder — do bilionário ao aliado invisível do Planalto.