Japão e Índia acusam Paquistão de terrorismo em cúpula bilionária

Japão e Índia acusam Paquistão de terrorismo em cúpula bilionária
Foto: valor.globo.com

Enquanto você paga contas, as três maiores economias da Ásia estão em rota de colisão diplomática. E o estopim tem nome: terrorismo.

Japão e Índia acabam de cravar o Paquistão na parede. Em declaração conjunta após a 16ª Cúpula Anual entre os dois países, realizada no início de julho em Nova Déli, a primeira-ministra japonesa Sanae Takaichi e o primeiro-ministro indiano Narendra Modi acusaram diretamente Islamabad de patrocinar "terrorismo transfronteiriço".

O documento, publicado em inglês e japonês em 2 de julho, não deixa margem para interpretação: "Os dois primeiros-ministros condenaram de forma inequívoca e veemente o terrorismo e o extremismo violento em todas as suas formas e manifestações, incluindo o terrorismo transfronteiriço proveniente do Paquistão".

Tóquio quebra anos de silêncio calculado

A menção explícita ao Paquistão chacoalhou a diplomacia asiática. Pela primeira vez em anos, o Japão — tradicionalmente avesso a confrontos diretos — abandona a neutralidade e aponta o dedo.

A imprensa paquistanesa não perdeu tempo. Autoridades e especialistas em Islamabad reagiram com preocupação ao que consideram uma guinada perigosa nas relações regionais.

O timing não é acidental. Modi comanda a sétima maior economia do mundo, com PIB de US$ 3,7 trilhões. O Japão ocupa a quarta posição, com US$ 4,2 trilhões. Juntos, representam uma potência econômica e política que o Paquistão — 47º no ranking global — não pode ignorar.

O jogo de poder por trás da declaração

Nova Déli acusa o Paquistão de abrigar grupos terroristas há décadas, especialmente na disputada região da Caxemira. A Índia aponta organizações como Lashkar-e-Taiba e Jaish-e-Mohammed como responsáveis por ataques em solo indiano, incluindo o atentado de Mumbai em 2008 que matou 166 pessoas.

O Paquistão nega as acusações sistematicamente. Islamabad argumenta que apoia apenas a "luta legítima" do povo da Caxemira pela autodeterminação.

Mas a declaração Japão-Índia muda o tabuleiro. Ao trazer Tóquio para o confronto verbal, Nova Déli isola diplomaticamente seu vizinho nuclear. E há mais em jogo: investimentos japoneses na Índia ultrapassam US$ 36 bilhões, segundo dados de 2025.

Três potências nucleares em rota de colisão

O detalhe que gela a espinha: Índia e Paquistão possuem arsenal nuclear. Ambos travaram quatro guerras desde 1947. A última escalada militar significativa ocorreu em 2019, quando caças indianos bombardearam território paquistanês.

Especialistas em segurança internacional alertam que declarações diplomáticas como essa podem endurecer posições e reduzir espaço para diálogo. O Paquistão já sinalizou que considerará "medidas apropriadas" em resposta.

Enquanto isso, o Japão consolida sua posição como parceiro estratégico da Índia no Indo-Pacífico — região onde China e Estados Unidos disputam influência palmo a palmo.

A declaração de julho marca um ponto de inflexão: o Japão escolheu seu lado. E deixou claro que diplomacia silenciosa tem prazo de validade.

"Os dois primeiros-ministros condenaram de forma inequívoca e veemente o terrorismo transfronteiriço proveniente do Paquistão."

Tradução para quem paga impostos: enquanto você se preocupa com o fim do mês, três países com bombas atômicas jogam xadrez com suas populações.

E ninguém sabe quando o rei vai cair.

Isabela Guimarães Coutinho

Isabela Guimarães Coutinho

Editora de perfis. Escreve retratos de personagens do poder — do bilionário ao aliado invisível do Planalto.