Marrocos ergue estádio de R$ 3 bilhões enquanto família real acumula US$ 8 bi
Enquanto 4,8 milhões de marroquinos vivem abaixo da linha da pobreza, o rei Mohammed VI aprovou um projeto faraônico: um estádio de 115 mil lugares que deve custar R$ 3 bilhões. O Grand Stade Hassan II será o maior do mundo — batendo o Rungrado May Day, na Coreia do Norte, com 114 mil assentos.
A Copa de 2026 nem acabou, mas Marrocos já mira 2030. O país dividirá o Mundial com Portugal, Espanha, Paraguai, Argentina e Uruguai. E quer sediar a final.
O estádio leva o nome do pai do atual monarca. Hassan II governou com mão de ferro por 38 anos. Mohammed VI herdou o trono em 1999 e, com ele, o controle sobre a principal holding do país: a SNI (Société Nationale d'Investissement).
Dinastia bilionária por trás da obra
A família real marroquina tem fortuna estimada em US$ 8 bilhões, segundo a Forbes. O rei controla participações em bancos, mineradoras, imobiliárias e até a Coca-Cola local. A SNI está em tudo — de fosfatos a telecomunicações.
O projeto do estádio foi encomendado ao escritório francês Oualalou + Choi e ao americano Populous. A capacidade oficial: 115 mil pessoas. A ambição: virar cartão-postal de uma monarquia que se vende como moderna, mas concentra riqueza há gerações.
Marrocos investiu pesado para conquistar a Copa. Apresentou candidatura quatro vezes desde 1994. Perdeu todas. Em 2026, ficou de fora de novo. Agora aposta em 2030 como vitrine para o reino.
Quem paga a conta
O financiamento oficial ainda não foi detalhado. Mas obras públicas no país costumam envolver empresas ligadas à coroa. A Caisse de Dépôt et de Gestion (CDG), fundo soberano controlado pelo Estado, já foi citada como possível financiadora.
Para efeito de comparação: o custo per capita do estádio supera o PIB anual de 40% da população marroquina. O salário mínimo local é de US$ 265 por mês.
O Grand Stade Hassan II ficará em Casablanca, maior cidade do país e centro econômico. A previsão de inauguração é 2028. Marrocos quer provar que pode sediar grandes eventos. E que a dinastia alauíta — no poder desde 1631 — continua firme.
Comparação com outras arenas
O Maracanã, no Rio, comporta 78 mil pessoas. O Camp Nou, em Barcelona, tem capacidade para 99 mil após reforma. O Wembley, em Londres, 90 mil. O Grand Stade Hassan II será 15% maior que todos eles.
A Copa de 2030 terá formato inédito: seis países anfitriões em dois continentes. FIFA já confirmou jogos de abertura em Argentina, Paraguai e Uruguai para celebrar o centenário do primeiro Mundial. Mas a final ficará com Marrocos, Portugal ou Espanha.
Mohammed VI aposta alto. Quer cravar o nome da família no maior evento do planeta. Enquanto isso, milhões de súditos seguem esperando que a riqueza do fosfato — Marrocos detém 70% das reservas mundiais — chegue ao bolso deles.
O estádio já está em obras. A final da Copa, marcada ou não, é detalhe. O que importa é a marca: Hassan II em letras garrafais, para sempre.