Michelle Bolsonaro vai ao Senado: quanto vale a cadeira de R$ 3 mi/ano
Uma cadeira no Senado Federal vale R$ 3,2 milhões por ano em subsídios e verbas. Michelle Bolsonaro acaba de ter seu nome confirmado para disputá-la — mas nem apareceu na própria convenção do PL que a lançou candidata por Goiás.
A ausência da ex-primeira dama no evento que selou sua candidatura ao Senado chamou atenção. Quem comandou o circo foi Flávio Bolsonaro, o filho 01, que garantiu: vai precisar da madrasta para "resgatar a democracia".
O negócio do Senado
Senador no Brasil não é cargo modesto. O salário bruto oficial chega a R$ 44 mil mensais. Some-se a isso verbas de gabinete, passagens aéreas ilimitadas, auxílios diversos e a conta facilmente ultrapassa R$ 260 mil ao ano por parlamentar.
Ao longo de oito anos de mandato — Michelle pode se reeleger — o valor acumulado supera R$ 25 milhões em recursos públicos.
A ex-primeira dama não construiu fortuna pessoal conhecida. Seu patrimônio declarado ao TSE em 2022 era zero. Jair Bolsonaro declarou R$ 2,3 milhões, principalmente em imóveis.
Goiás como trampolim
Michelle nasceu no Distrito Federal, mas o PL a lançou por Goiás. A estratégia é clara: estado evangélico, conservador, com forte base bolsonarista. Ela já foi primeira-dama quando Jair governou — ops, presidiu — o país.
A convenção aconteceu em Goiânia com pompa. Bandeiras, gritos, camisetas amarelas. Faltou apenas a estrela principal.
Flávio assumiu o palanque. Disse que a família precisa de Michelle no Senado para fazer frente ao governo Lula. "Resgatar a democracia" foi a expressão escolhida — irônico vindo de quem apoiou atos antidemocráticos em 8 de janeiro.
O xadrez eleitoral
Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, está por trás da operação. Seu partido recebeu R$ 886 milhões do fundo eleitoral em 2022 — dinheiro público. Para 2024, a expectativa é de novo recorde.
Michelle representa moeda de troca valiosa. Seu nome puxa votos da base evangélica. Segundo pesquisas internas do partido, ela teria entre 25% e 30% das intenções de voto em Goiás.
Se eleita, vira peça-chave para blindar Jair Bolsonaro de processos. Senadores têm imunidade parlamentar relativa e poder de articulação no Congresso.
Quanto vale a ex-primeira dama?
Na política brasileira, cônjuges de presidentes costumam capitalizar o sobrenome. Rosângela "Janja" da Silva, atual primeira-dama, não tem cargo eletivo mas comanda agenda internacional bilionária.
Michelle escolheu o caminho do voto. Seu valor de mercado político é estimado em pelo menos R$ 50 milhões em projeção de arrecadação de campanha e repasse de fundos partidários.
A ironia: uma mulher que nunca declarou patrimônio concorre a cargo que vale milhões.
Flávio Bolsonaro, vale lembrar, está sob investigação no caso das rachadinhas. Valores somam R$ 6,8 milhões. Ele nega tudo.
A convenção do PL confirmou 152 candidatos em Goiás. Michelle é a joia da coroa. As eleições acontecem em outubro. O Senado Federal tem ar-condicionado, carro oficial e salário em dia.
Democracia para uns vale R$ 3,2 milhões por ano. Para outros, vale o voto.