Novo líder do Hamas sobreviveu a ataque israelense em 2024
Israel tentou matá-lo no ano passado. Falhou. Agora Khalil al-Hayya comanda o Hamas.
O grupo palestino anunciou nesta semana a eleição do homem que negociou frente a frente com mediadores durante meses de guerra em Gaza. Nascido na Faixa, baseado em Doha, al-Hayya derrotou Khaled Mashaal na disputa interna pelo topo da hierarquia.
O homem que Israel não conseguiu apagar
Al-Hayya escapou de um ataque israelense direcionado em 2024. A operação fracassou. Ele seguiu negociando cessar-fogos, trocas de prisioneiros, acordos humanitários — sempre do Qatar, longe das bombas.
Sua proximidade com o regime iraniano pesa na balança geopolítica. Teerã financia, arma e orienta o Hamas há décadas. Com al-Hayya no comando, essa conexão se aprofunda.
Disputa de poder em tempo de guerra
A eleição não foi consenso. Mashaal, ex-líder do braço político, queria retomar o controle. Perdeu. Al-Hayya representa a linha dura — os que negociam sob fogo, não em salões diplomáticos.
O Hamas nunca divulga quanto paga seus líderes. Mas controla túneis, rotas de contrabando, doações internacionais. O novo chefe herda uma estrutura que movimenta milhões, mesmo sob cerco.
O que muda no tabuleiro
Israel classifica al-Hayya como terrorista de alta prioridade. Seu nome está em listas de eliminação desde antes da guerra atual. Agora, como líder máximo, o alvo nas suas costas cresce.
Para o Hamas, a escolha sinaliza continuidade na estratégia de resistência armada. Nada de moderação. Al-Hayya defende publicamente ataques contra civis israelenses como "legítima defesa".
Enquanto isso, em Doha, ele vive em segurança relativa. O Qatar oferece proteção diplomática. Israel não ataca em solo qatari — ainda.
"Al-Hayya é o rosto da negociação Hamas, mas também o arquiteto da intransigência", afirma analista de segurança citado pelo Times of Israel.
Quanto vale comandar o Hamas
Ninguém sabe ao certo. Líderes anteriores acumularam fortunas. Yasser Arafat morreu com bilhões desviados. Khaled Meshaal vive em mansões no Golfo Pérsico.
Al-Hayya controla agora o acesso a:
- Fundos iranianos estimados em centenas de milhões anuais
- Doações de países árabes e diásporas palestinas
- Economia paralela em Gaza — túneis, taxas, "impostos de guerra"
O poder não vem apenas de armas. Vem de controlar quem come, quem reconstrói, quem recebe ajuda humanitária.
O paradoxo de Doha
Al-Hayya negocia cessar-fogos de um hotel cinco estrelas. Seus comandados morrem em escombros. Ele janta bem enquanto Gaza passa fome.
Essa distância física define a nova liderança do Hamas: remota, protegida, intocável. Ao menos por enquanto.
Israel já disse publicamente: nenhum líder do Hamas está seguro, não importa onde se esconda. Al-Hayya sabe. Seus antecessores foram todos eliminados — alguns levaram anos, mas foram.
A pergunta não é se Israel tentará de novo. É quando.