Patrimônio e política: senadora bilionária pode sobreviver a racha democrata
Susan Collins tem US$ 3,4 milhões no banco. Troy Jackson, o democrata que quer seu lugar no Senado, pode ser exatamente o presente que ela precisava para manter essa fortuna trabalhando a seu favor.
A senadora republicana do Maine deveria estar nervosa. Biden venceu o estado. As pesquisas mostram erosão. O dinheiro democrata está fluindo. Mas há um problema: o partido escolheu um candidato que ninguém sabe se quer.
O convertido que ninguém acredita
Troy Jackson era conservador radical. Votou contra casamento gay. Contra direitos reprodutivos. Contra tudo que progressistas defendem.
Agora diz que mudou.
Os progressistas não engolem. Os independentes — que decidem eleições no Maine — olham o histórico e recuam. É o pior dos mundos: sem base energizada, sem centro conquistado.
Collins, enquanto isso, acumula. Seu patrimônio senadores coloca ela confortavelmente no topo 30% do Congresso. Não é Mitt Romney, mas é dinheiro suficiente para bancar uma campanha que explorará cada voto antigo de Jackson.
Quanto vale um convertido?
A matemática é simples. Maine tem 1,3 milhão de habitantes. Cerca de 35% são independentes registrados — mais que democratas ou republicanos.
Esses independentes elegeram Collins seis vezes. São fiscalmente conservadores, socialmente moderados. Perdoam mudanças de posição quando veem evolução genuína.
Mas Jackson não vendeu evolução. Vendeu conversão instantânea. E conversões instantâneas, em política, cheiram a oportunismo.
O problema não é ideológico. É credibilidade. E credibilidade se converte em dólares de campanha.
O dinheiro por trás da cadeira
Collins levantou US$ 8,4 milhões no último ciclo. Perdeu, mas por margem apertada. Sua rede de doadores permanece intacta.
Jackson terá dinheiro democrata nacional. Mas dinheiro não compra entusiasmo. Voluntários batem de porta em porta quando acreditam. Eleitores comparecem quando se importam.
A senadora sabe disso. Seu patrimônio não vem apenas de salário. Vem de décadas construindo relacionamentos, angariando fundos, transformando acesso em influência em patrimônio líquido.
É assim que funciona. Senadores acumulam. Desafiantes prometem. E independentes escolhem quem parece menos pior.
A fratura que pode custar tudo
Democratas nacionais despejaram US$ 90 milhões no Maine em 2020 para tirar Collins. Falharam.
Agora têm outro tiro. Condições melhores. Ambiente mais favorável.
E escolheram alguém que divide o próprio partido.
Progressistas cochicham sobre traição. Moderados temem que ele seja progressista demais de qualquer forma. Independentes simplesmente não confiam.
Collins não precisa fazer nada. Basta deixar Jackson explicar seus votos de 2010, 2012, 2015. Cada explicação soa como desculpa. Cada desculpa corrói um ponto percentual.
Em um estado que decide eleições por 2-3 pontos, isso é suicídio.
O veredicto do dinheiro
Patrimônio senadores não é apenas sobre contas bancárias. É sobre poder de permanência. Collins tem. Jackson não construiu.
Ela sobreviveu Trump. Sobreviveu Kavanaugh. Sobreviveu uma onda azul.
Pode sobreviver Troy Jackson sem nem tentar.
Às vezes, o maior presente que você pode dar a um incumbente milionário é um desafiante que ninguém quer defender.
Maine pode estar prestes a provar isso. De novo.