Patrimônio senadores cresce enquanto juros de 12,75% escondem jogo
Enquanto o brasileiro médio paga 400% ao ano no cheque especial e reza para não entrar no rotativo do cartão, o UBS acaba de soltar uma bomba: a projeção de Selic em 12,75% para 2026 é, na verdade, uma grande mentira estatística.
Não uma mentira no sentido literal — mas um número que esconde dois cenários completamente opostos. E nenhum deles tem a ver com o crescimento da economia ou a inflação que você vê no supermercado.
O jogo dos números gordos
Alexandre Ázara, economista-chefe do UBS Brasil, jogou a real em entrevista ao Money Times: os 12,75% são uma média entre dois mundos paralelos. Um cenário otimista e outro catastrófico. A previsão oficial do banco? Nem é essa.
Traduzindo: é como dizer que a temperatura média entre o Saara e a Antártida é agradável. Tecnicamente correto, praticamente inútil.
O UBS está entre as instituições mais conservadoras — ou realistas, depende do seu nível de otimismo — em suas projeções. Enquanto outros bancos vendem sonhos de juros mais baixos, o suíço mantém os pés no chão.
Patrimônio senadores: a blindagem perfeita
Aqui entra o contraste que ninguém quer ver. Enquanto economistas debatem se a Selic vai fechar em 12%, 13% ou 15%, uma camada específica da população brasileira segue imune a essas oscilações: o patrimônio senadores e da alta cúpula política.
Eles não pegam empréstimo no banco de varejo. Não entram em desespero quando o Copom sobe 1 ponto percentual. Têm assessores financeiros que transformam crise em oportunidade.
A Selic alta é excelente para quem tem dinheiro aplicado em renda fixa. Péssima para quem precisa financiar a geladeira em 24 vezes.
O que realmente move a taxa de juros
Ázara foi direto: PIB e inflação não comandam mais o jogo. O Banco Central está refém de outro fator — que o economista não especificou publicamente, mas que os veteranos do mercado já conhecem.
Risco fiscal. Credibilidade. Expectativas desancoradas. Chame como quiser.
O governo gasta, promete cortar, não corta, o mercado desconfia, o dólar sobe, a Selic precisa subir junto para segurar a inflação importada e a fuga de capital.
É um ciclo vicioso onde os mesmos sempre pagam a conta: você.
Dois cenários, uma certeza
O cenário otimista do UBS provavelmente envolve um milagre fiscal — governo cortando gastos de verdade, Congresso aprovando reformas, mercado recuperando a confiança.
O cenário pessimista é o Brasil sendo Brasil: promessas não cumpridas, déficit crescente, juros estratosféricos por anos.
A média matemática? 12,75%.
A realidade prática? Só saberemos em 2026.
"Os 12,75% não representam o cenário que consideramos mais provável", admitiu Ázara. Uma confissão rara de honestidade num mercado viciado em previsões que ninguém acerta.
O abismo entre Faria Lima e a realidade
Enquanto analistas do UBS, JP Morgan e Goldman Sachs fazem ginástica mental com modelos econométricos, 40 milhões de brasileiros estão negativados no Serasa.
Para esses, tanto faz se a Selic é 12,75% ou 15%. Já estão fora do sistema financeiro formal há tempos.
O patrimônio senadores, por outro lado, segue crescendo. Declarações públicas mostram carteiras de investimento robustas, imóveis valorizados, participações em empresas.
Eles fazem as leis que determinam quanto o governo pode gastar. E investem no mercado que lucra quando esse gasto sai do controle e os juros explodem.
Conflito de interesse? Pergunte a eles.
Por enquanto, fique com a certeza: os 12,75% do UBS são uma ilusão estatística confortável. A realidade será uma — ou muito melhor, ou muito pior. E você já sabe de que lado da moeda vai cair.