Patrus Ananias vai à disputa em MG: quanto custa uma eleição?
Enquanto o brasileiro médio ganha R$ 2.900 por mês, uma campanha para governador de Minas Gerais pode ultrapassar R$ 50 milhões. Patrus Ananias, deputado federal do PT, acaba de entrar nessa corrida milionária.
O ex-ministro e ex-prefeito de Belo Horizonte confirmou sua pré-candidatura ao Palácio Tiradentes em vídeo publicado nas redes sociais nesta semana. A oficialização depende da convenção estadual do PT, marcada para 31 de julho.
O custo da ambição política
Minas Gerais é o segundo maior colégio eleitoral do país, com mais de 16 milhões de eleitores. Disputar esse mercado — porque é disso que se trata — exige estrutura de campanha digna de multinacional.
Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral, a eleição de 2018 para governador mineiro movimentou R$ 142 milhões somando todos os candidatos. Romeu Zema, atual governador, declarou gastos de R$ 29 milhões.
Patrus Ananias traz no currículo a prefeitura de BH (1993-1996) e passagens pelos ministérios do Desenvolvimento Social, Desenvolvimento Agrário e Previdência Social nos governos Lula e Dilma. Experiência não falta. Dinheiro é outra conversa.
Quem está por trás da candidatura
O PT mineiro enfrenta desafio duplo: reconstruir a máquina eleitoral após derrotas consecutivas e encontrar financiamento robusto. O partido perdeu força no estado desde 2014.
A estratégia petista passa por coalizões. Legendas aliadas significam tempo de TV, estrutura de cabos eleitorais e, principalmente, acesso a fundos partidário e eleitoral — que juntos podem chegar a R$ 40 milhões para uma chapa competitiva.
O Fundo Eleitoral de 2022 distribuiu R$ 4,9 bilhões entre os partidos. O PT recebeu a maior fatia: R$ 617 milhões nacionalmente. Minas deve receber fatia proporcional ao seu peso eleitoral.
O adversário bilionário
Do outro lado está Romeu Zema, que construiu fortuna estimada em centenas de milhões no setor financeiro antes de entrar na política. Empresário do Novo, ele representa o modelo do político-bilionário que domina campanhas estaduais.
Zema lidera pesquisas de aprovação com margem confortável. Sua reeleição em 2022 foi consolidada com campanha enxuta mas eficiente, alavancada por sua própria rede empresarial.
A disputa se resume a isto: capital político tradicional versus capital financeiro estabelecido. Patrus tem história. Zema tem dinheiro e aprovação.
O jogo dos bastidores
Fontes do PT mineiro indicam que a candidatura de Patrus serve também como moeda de troca. Pode virar palanque para candidatos federais ou ser negociada em composições de último momento.
Em Brasília, alguns petistas avaliam que Minas é território perdido para 2026. A aposta real estaria em fortalecer bancada federal e preparar terreno para 2030.
Cinismo à parte, são R$ 50 milhões em jogo. Dinheiro público, via fundos eleitorais. Para um estado que acumula dívidas bilionárias e tem servidores com salários atrasados, o contraste é brutal.
A convenção de 31 de julho dirá se Patrus é candidato de verdade ou peça no tabuleiro. O eleitor mineiro, esse, continua esperando soluções que nenhum bilionário — de partido ou de empresa — parece disposto a entregar.