Poder e dinheiro Brasília: El Niño vira jogo político no MMA
Enquanto 33 milhões de brasileiros passam fome, Brasília monta mais um grupo de trabalho. Desta vez, o alvo é o El Niño. O custo? Sigiloso. O resultado? A definir.
O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima instituiu um GT para "coordenar ações federais" contra o fenômeno climático. Traduzindo do burocratês: reuniões, relatórios e mais cargos comissionados orbitando a Esplanada.
O Que Ninguém Está Dizendo
O El Niño não é novidade. Acontece de três em três anos, em média. Mas 2024 é ano eleitoral em milhares de municípios. E a inflação — essa sim — preocupa quem manda.
Porque o verdadeiro medo de Brasília não é a seca no Sul ou as chuvas no Norte. É o impacto no setor energético. E energia cara significa:
- Inflação nas alturas
- Popularidade em queda
- Risco político real
Marina Silva, ministra do MMA, comandará a operação. Ao lado dela, técnicos de ao menos sete pastas diferentes. Cada um com diária, gabinete e assessoria.
Quanto Custa Prevenir o Clima?
O Portal Radar Energia, que revelou a criação do grupo, não informou o orçamento da operação. O MMA também não. Transparência seletiva — especialidade da máquina pública brasileira.
Mas dá para estimar. Grupos de trabalho federais custam entre R$ 500 mil e R$ 2 milhões por ano, dependendo do tamanho. Dinheiro que sai do bolso de quem paga conta de luz com bandeira vermelha.
Enquanto isso, o setor energético privado — que realmente mantém as turbinas girando — segue sem saber se haverá mudança regulatória. O GT "não altera diretamente a regulação", admite o próprio governo.
O Jogo Real
Aqui está o conflito: governo federal quer mostrar ação climática sem mexer no bolso das estatais energéticas. Quer sinalizar preocupação ambiental sem assustar o mercado. Quer tudo, sem pagar nada.
O El Niño vira, então, desculpa perfeita. Cria-se um grupo, anuncia-se nos portais oficiais, ganha-se manchete. Política ambiental como teatro — e Brasília adora um palco.
"Sinaliza preocupação governamental com os efeitos climáticos no setor e na inflação" — assim o próprio governo admite que o foco é econômico, não ambiental.
Quem Paga a Conta
O consumidor final, obviamente. Sempre ele. Quando a energia ficar cara por causa do El Niño — e vai ficar —, a culpa será do clima. Nunca da falta de investimento em infraestrutura. Nunca da ineficiência da máquina pública.
O grupo de trabalho produzirá relatórios. Muitos relatórios. Mas não vai construir uma única hidrelétrica, instalar um painel solar ou reduzir um centavo da sua conta.
Porque em Brasília, poder e dinheiro andam juntos. E fenômenos climáticos são apenas a desculpa da vez para justificar os dois.