Presente de US$ 800 mi: Qatar compra Trump com jatinho de ouro
Um avião. Não qualquer avião. Um Boeing de luxo avaliado em US$ 800 milhões — cerca de R$ 4,5 bilhões — caiu de presente no colo de Donald Trump. Quem pagou a conta? O Qatar, aquele emiradozinho do Golfo Pérsico menor que Sergipe mas com um PIB per capita de US$ 112 mil.
Enquanto milhões de americanos enfrentam inflação recorde e cortes em programas sociais, Trump voou num palácio voador doado por um governo estrangeiro. Domingo passado, ele anunciou que a aeronave será retirada de serviço para reformas. Tradução: mais dinheiro do contribuinte para equipar com sistemas de defesa um presente milionário.
O jogo do Qatar
Não existe almoço grátis. Muito menos jatinho grátis.
O Qatar não é exatamente conhecido por sua generosidade desinteressada. O emirado enfrenta bloqueio econômico de vizinhos árabes, disputa geopolítica com a Arábia Saudita e precisa desesperadamente de aliados poderosos em Washington.
Presentear o presidente americano com um avião de luxo é o equivalente internacional de comprar influência no varejo. Só que neste caso, o varejo custa quase um bilhão de dólares.
O esquema que políticos brasileiros conhecem bem
A jogada do Qatar lembra velhos truques que políticos do mundo inteiro dominam: recebeR presentes valiosos disfarçados de "doações", "parcerias" ou "cooperação internacional".
No Brasil, investigações de offshore de políticos revelaram patrimônios milionários escondidos em paraísos fiscais. Apartamentos em Miami, contas nas Ilhas Virgens, empresas de fachada em Delaware.
A diferença? Trump recebe o presente às claras. Voa nele. Posta nas redes sociais. E ainda anuncia reformas pagas com dinheiro público.
Quanto custa equipar um Boeing presidencial?
Segundo especialistas em aviação presidencial, adaptar uma aeronave comercial para padrões de segurança presidencial custa entre US$ 200 milhões e US$ 500 milhões adicionais.
Os sistemas incluem:
- Contramedidas antimísseis
- Comunicações criptografadas militares
- Blindagem especial
- Sistemas de reabastecimento em voo
- Salas de comando e situação
Tudo pago pelo Tesouro americano. Para reformar um presente que Trump ganhou de um governo estrangeiro.
O silêncio conveniente do Congresso
Democratas murmuram críticas discretas. Republicanos olham para o lado.
Nenhum dos dois partidos quer realmente confrontar a questão central: é ético um presidente aceitar presentes multimilionários de governos estrangeiros?
A Constituição americana tem uma cláusula específica proibindo presentes de poderes estrangeiros sem aprovação do Congresso. Mas quem vai enforçar quando o próprio Congresso prefere fingir que não vê?
"Será equipado ao máximo", disse Trump sobre o avião, sem mencionar quem pagará a conta da reforma.
Transparência seletiva
O caso expõe a hipocrisia das elites globais: enquanto governos perseguem offshores de empresários médios e exigem transparência total de pequenos contribuintes, presidentes aceitam presentes de centenas de milhões às claras.
A lição para políticos do mundo inteiro, inclusive do Brasil: se você for poderoso o suficiente, nem precisa esconder. Basta chamar de "doação" e seguir em frente.
O Qatar comprou acesso. Trump ganhou um brinquedo novo. E o contribuinte americano vai pagar a conta da reforma.
Negócio fechado.