Quem manda no Brasil? Tubarões fogem dos bancões

Quem manda no Brasil? Tubarões fogem dos bancões
Foto: moneytimes.com.br

Enquanto você comemora o PIX gratuito, os verdadeiros donos do dinheiro estão correndo dos bancos. Os tubarões do mercado financeiro — gestores que movimentam bilhões — viraram as costas para Bradesco, Santander e Banco do Brasil. E quando essa turma foge, é porque o navio vai afundar.

Os números são brutais. Santander despencou 18% na bolsa. Banco do Brasil perdeu 7%. Bradesco não saiu do lugar. Depois de subir em abril, os bancões devolveram tudo em maio. E o alerta vermelho veio de onde menos se esperava: do próprio Itaú, o maior banco privado do país.

O relatório que ninguém quer ler

O Itaú BBA, braço de investimentos do banco, soltou um relatório que gelou o mercado. A mensagem nas entrelinhas é clara: cuidado com os concorrentes. Quando um banco avisa para tomar cuidado com outros bancos, quem manda no Brasil presta atenção.

Os grandes gestores — Verde Asset, Squadra, JGP — estão reduzindo posições. Esses fundos controlam mais dinheiro do que o PIB de países inteiros. Quando eles saem, não é por capricho. É porque viram algo nos balanços que o investidor comum não consegue enxergar.

Por que o dinheiro grande está saindo

Três razões fazem os tubarões nadarem para longe:

  • Inadimplência subindo: brasileiro está devendo mais e pagando menos. Os bancos emprestaram demais na euforia pós-pandemia.
  • Margem apertando: com a Selic ainda alta, os bancos ganham menos com empréstimos. O spread — diferença entre o que pagam e cobram — está menor.
  • Competição digital: fintechs e bancos digitais estão comendo fatia de mercado. Nubank, Inter, C6 Bank roubam clientes jovens todos os dias.

O Bradesco, que já foi sinônimo de eficiência, patina. Tentou uma reestruturação bilionária e não conseguiu entregar resultados. O mercado cobra, as ações não reagem.

Quem realmente manda

A resposta está nos CPFs que controlam os fundos bilionários. Luis Stuhlberger da Verde. Guilherme Affonso Ferreira da Squadra. Esses nomes não aparecem no Jornal Nacional, mas decidem o destino de milhões de aposentadorias, fundos de pensão e patrimônios.

Quando eles mexem o portfólio, bancos tremem. Presidências são trocadas. Estratégias viram pó. É o capitalismo na veia: quem tem o dinheiro grande dita as regras do jogo.

O Banco do Brasil tenta se equilibrar entre ser estatal e dar lucro. Serve a dois senhores. O Santander olha para a matriz espanhola enquanto tenta entender o Brasil. O Bradesco busca a alma perdida em meio a fusões e demissões.

O que vem por aí

Os próximos balanços vão mostrar se os tubarões estavam certos. Se a inadimplência explodir, os bancões vão precisar provisionar bilhões. Menos lucro, dividendos menores, ações derretendo.

E enquanto isso, você continua pagando tarifa de DOC, anuidade de cartão e juros de 400% no rotativo. Porque no fim, quem manda no Brasil de verdade não são os bancos. São os poucos que sabem quando entrar e quando sair antes do massacre.

Os tubarões já saíram da água. A pergunta é: você vai ficar nadando sozinho?

Carolina Pereira Ferraz

Carolina Pereira Ferraz

Cronista de poder e dinheiro. Ex-Forbes Brasil, ex-Piauí. Especializada em rankings de riqueza, dinastias políticas e herdeiros do poder.