Soja dispara e engorda fortuna do agro — quem lucra milhões
Enquanto o brasileiro comum vê o preço do óleo subir no supermercado, os barões da soja comemoram. A saca de 60 quilos disparou R$ 5 em apenas um dia nas principais praças do país. Em Sorriso, no Mato Grosso, terra dos megaprodutores, o salto foi instantâneo.
Todas as 38 praças monitoradas pela consultoria AgRural registraram alta nesta segunda-feira (20/7). O acumulado semanal em Rondonópolis chegou a 8,3%. Dinheiro entrando a rodo.
O Grão de Ouro Vale Ouro
No Porto de Paranaguá, referência nacional, a saca bateu R$ 142,65. Alta de 1,16% em um único dia. No mês de julho, a valorização já ultrapassa 6,79%. Matemática simples: para quem planta milhares de hectares, cada centavo é milhão no bolso.
A Bolsa de Chicago dita o ritmo. Lá fora, os contratos futuros sobem. Aqui dentro, os grandes proprietários de terra — muitos deles com conexões políticas profundas — colhem os frutos.
Quem Está Por Trás da Bonança
Lucas do Rio Verde e Luís Eduardo Magalhães lideram os ganhos junto com Sorriso. Não por acaso, são redutos de grupos empresariais gigantescos do agronegócio. Fazendas do tamanho de cidades inteiras.
O farelo de soja também disparou, puxando toda a cadeia para cima. Exportadores lucram. Tradings internacionais lucram. Grandes produtores lucram. O consumidor final? Esse paga a conta no supermercado.
O Poder do Agro
O setor movimenta bilhões e financia campanhas políticas. A chamada bancada ruralista tem força no Congresso. Não à toa, os incentivos fiscais e linhas de crédito fluem generosamente para o campo — especialmente para os grandes.
Segundo dados do Cepea/Esalq, a tendência é de mais altas. Clima nos Estados Unidos, demanda chinesa, dólar flutuante. Tudo conspira a favor de quem tem terra e máquinas.
Enquanto isso, pequenos produtores lutam para sobreviver com margens apertadas. A concentração fundiária no Brasil faz com que menos de 1% das propriedades controlem quase metade das terras agricultáveis.
Dinheiro e Influência
A alta da soja não acontece no vácuo. Há lobistas em Brasília, há doações de campanha, há jantares de negócios. O agronegócio brasileiro é potência global, mas os dividendos ficam concentrados.
Os mesmos nomes aparecem nas listas de maiores fortunas do país. Muitos figuram também em listas de financiadores de políticos influentes. O ciclo se retroalimenta: poder político garante condições favoráveis, que geram mais riqueza, que financia mais poder.
Para o consumidor médio, resta torcer para que o repasse aos preços dos alimentos seja comedido. Mas quem acompanha o mercado sabe: quando a soja sobe, o bolso do brasileiro sente.