Suíços da Emmi ficam com 70% de império de R$ 2,3 bi do leite

Suíços da Emmi ficam com 70% de império de R$ 2,3 bi do leite
Foto: globorural.globo.com

Enquanto o salário do Congresso em 2026 gira em torno de R$ 44 mil mensais, João Lúcio Carneiro está deixando o comando diário de um império que fatura R$ 2,3 bilhões por ano. Mas calma: ele continua dono de 30% — os suíços do Emmi Group ficam com os outros 70%.

A Laticínios Porto Alegre (LPA), sediada em Ponte Nova (MG), acaba de promover uma dança das cadeiras no topo. Carneiro, fundador, passa a se dedicar exclusivamente ao conselho de administração. Quem assume a presidência executiva é Carlos Mafia, veterano de 16 anos na casa e até então vice-presidente de operações.

O plano suíço para dominar o leite brasileiro

A troca de comando não é cosmética. A LPA quer crescer dois dígitos por ano até 2030. A estratégia tem três pilares:

  • Ampliação do portfólio de produtos
  • Expansão geográfica no Sudeste
  • Aquisições para acelerar o crescimento

Traduzindo: os suíços querem mais fatia do mercado brasileiro. E têm dinheiro para isso.

Quem é quem nessa história

O Emmi Group é um gigante lácteo suíço com presença global. Controla a LPA desde que adquiriu participação majoritária. João Lúcio Carneiro, mineiro de Ponte Nova, fundou a empresa e construiu um negócio robusto o suficiente para atrair capital europeu.

A receita de R$ 2,1 bilhões em 2025 deve saltar para R$ 2,3 bilhões neste ano. Não é pouca coisa num mercado onde margem importa mais que volume.

Carlos Mafia, o novo CEO, não é nome de fora. Dezesseis anos na empresa significam que ele conhece cada etapa da operação — da ordenha à prateleira do supermercado. Paulo Martins, promovido de gerente de finanças a diretor, completa a nova formação.

Sudeste: o alvo milionário

A LPA já tem presença forte em Minas Gerais. Agora quer avançar sobre São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo. São mercados mais competitivos, mais caros, mas também mais lucrativos.

A empresa não descarta aquisições. No setor lácteo brasileiro, isso geralmente significa engolir competidores regionais que não conseguem escala ou sofrem com endividamento.

"A transição de liderança faz parte de um planejamento estratégico de longo prazo", disse fonte próxima à operação.

O que está em jogo

Carneiro não está saindo de mãos vazias. Como presidente do conselho e dono de 30% do negócio, ele continua influente e lucrando. Mas o controle operacional agora é 100% do Emmi.

Para o consumidor brasileiro, a pergunta que fica: preços vão subir com essa expansão agressiva? Historicamente, quando grupos estrangeiros consolidam mercados, margens aumentam. Alguém sempre paga a conta.

E não costuma ser quem ganha em euros.

Fernando Andrade Villela

Fernando Andrade Villela

Investigador financeiro. Cobre offshores, patrimônio declarado vs. real, e o cruzamento entre política e mercado.