Tarifaço de Trump: quem vai pagar a conta no Brasil
Enquanto os políticos mais ricos do Brasil discutem reformas em Brasília, uma bomba tarifária americana de 25% começa a explodir hoje (22) sobre produtos brasileiros. E pode ficar pior: até 12,5% a mais em setores específicos.
Leonardo Costa, sócio e head de alocação da Etmos, não espera recuo. Zero chance de Trump voltar atrás. A medida é definitiva.
Quem paga a conta?
Costa classifica o impacto como "marginal". Mas marginal para quem? Para os grandes grupos que dominam exportação ao mercado americano, talvez. Para o trabalhador da indústria que pode perder emprego, a história é outra.
A tarifa mira setores pontuais. Aço, alumínio e alguns produtos industrializados entram na lista negra. São justamente áreas com forte presença sindical e empregos diretos em estados-chave do Brasil.
O jogo de poder por trás dos números
Investidores mantêm a medida no radar. Wall Street observa. A Etmos, gestora de recursos sofisticada, calcula cenários para carteiras milionárias. Enquanto isso, o dólar dança conforme Trump tuíta.
A estratégia americana é clara: pressionar parceiros comerciais para renegociar acordos. O Brasil vira peça no tabuleiro geopolítico. E Brasília? Silêncio ensurdecedor dos políticos mais ricos do país, muitos com fortunas atreladas ao agronegócio exportador.
"A reversão ou redução é improvável. Pode haver acréscimo em setores específicos", sentencia Leonardo Costa.
Setores na mira
Os 25% já são realidade a partir de hoje. Mas a ameaça de adicionar 12,5% paira sobre categorias ainda não totalmente definidas. A indefinição é proposital: mantém pressão máxima.
Empresas brasileiras correm para reorganizar cadeias de suprimento. Algumas estudam triangulação via México ou Canadá. Outras simplesmente engolem o custo e repassam ao consumidor americano.
O mercado financeiro já precificou parte do choque. Ações de siderúrgicas sofreram. Papéis ligados a commodities oscilaram. Mas o "impacto marginal" de Costa reflete a realidade: Brasil depende mais da China que dos EUA atualmente.
A elite que decide longe do povo
Enquanto especialistas de alto escalão calculam percentuais em escritórios climatizados, a população real enfrenta consequências reais. Demissões não são marginais quando você é o demitido.
A Etmos administra bilhões. Seus clientes são family offices, fundos de pensão, grandes fortunas. Para esse público, 25% de tarifa americana é variável em planilha Excel. Para o operário de Volta Redonda, é o fim do mês sem salário.
Costa tem razão em um ponto: para a economia brasileira como um todo, o impacto agregado será limitado. Nosso comércio exterior se diversificou. A dependência americana diminuiu década após década.
O que vem pela frente
Trump não blefa em tarifas. Seu primeiro mandato provou. Este segundo segue a mesma cartilha: América primeiro, aliados que se virem.
O Brasil precisa responder. Mas como, se os políticos mais ricos do Brasil muitas vezes têm interesses diretos em não confrontar Washington? O Congresso abriga fortunas construídas justamente no comércio exterior.
A conta da guerra comercial global sempre desce para quem está embaixo. Os especialistas analisam. Os políticos negoceiam em silêncio. E o trabalhador brasileiro espera saber se ainda terá emprego mês que vem.
Marginal ou não, alguém vai pagar. E geralmente não são os Leonardo Costas ou os parlamentares milionários de Brasília.