Trump detona acordo comercial e Canadá revida: guerra tarifária bilionária

Cinquenta por cento. É quanto Donald Trump decidiu cobrar de uma tacada só sobre produtos canadenses que entram nos Estados Unidos. O número não é retórico: representa bilhões de dólares em jogo entre as duas maiores economias da América do Norte.

Mark Carney, primeiro-ministro do Canadá, não engoliu calado. Chamou as novas tarifas de "violação direta" do acordo comercial vigente entre os países. A batalha foi declarada segunda-feira, quando Trump assinou três ordens executivas acusando o vizinho de práticas "discriminatórias" no comércio.

O que está em jogo

A disputa envolve setores que movimentam fortunas: madeira, alumínio, aço, energia e produtos agrícolas. Empresários bilionários de ambos os lados da fronteira assistem seus negócios virarem peões num tabuleiro político cada vez mais instável.

Carney não poupou palavras. Classificou as medidas como "mais um capítulo" numa série de ataques ao livre comércio que, segundo ele, prejudica não só o Canadá, mas trabalhadores e consumidores americanos.

O timing é explosivo. Com a economia global ainda se recuperando de turbulências recentes, uma guerra comercial entre parceiros históricos pode desestabilizar cadeias de suprimento inteiras.

Quem ganha, quem perde

Do lado americano, Trump vende a medida como proteção à indústria nacional. Promete empregos e fechamento de déficit comercial. Do lado canadense, Carney prepara retaliações que podem atingir produtos agrícolas e manufaturados dos Estados Unidos.

Os grandes conglomerados que operam nos dois países já fazem contas. Executivos de mineradoras, madeireiras e produtores de alumínio ligam para Brasília, Ottawa e Washington tentando entender quanto vai custar essa queda de braço.

"Esta é uma violação direta dos acordos que nossos países assinaram. Não vamos aceitar passivamente", declarou Carney em entrevista coletiva.

O premier canadense destacou ainda a questão dos incêndios florestais que têm devastado regiões do país. Segundo ele, as tarifas chegam num momento em que o Canadá precisa de cooperação, não de confronto.

O efeito cascata

Enquanto Trump e Carney trocam acusações, os mercados observam nervosos. A incerteza comercial afeta desde o preço da cerveja canadense em bares de Nova York até o custo de construção de casas no Texas — madeira canadense é essencial para a construção civil americana.

Investidores brasileiros também prestam atenção. Qualquer ruptura no comércio norte-americano abre oportunidades e riscos para exportadores do Brasil, especialmente nos setores de commodities e agroindústria.

A pergunta que fica: quanto tempo até um dos lados piscar? Ou até que a disputa se transforme numa guerra tarifária total, arrastando outros países para o ringue?

Por enquanto, os dois gigantes econômicos se encaram. Com bilhões em jogo e orgulho nacionalista inflado, nenhum parece disposto a recuar.

Carolina Pereira Ferraz

Carolina Pereira Ferraz

Cronista de poder e dinheiro. Ex-Forbes Brasil, ex-Piauí. Especializada em rankings de riqueza, dinastias políticas e herdeiros do poder.