Jatinho de US$ 800 mi: Trump turbina avião de presente do Catar

Enquanto brasileiros discutem CPF na nota, Donald Trump decide gastar mais alguns milhões de dólares para transformar um Boeing 747-8i — presente do emir do Catar — no novo Air Force One. O avião, avaliado em US$ 800 milhões, vai passar por upgrades que o presidente americano promete deixar "no máximo".

A declaração veio semanas depois do Serviço Secreto ter vetado que Trump usasse o jatinho para voltar da Turquia aos Estados Unidos. Motivo: falta de recursos de segurança adequados para um presidente.

O presente que constrange

O Boeing 747 foi entregue a Trump como "presente" do Catar em janeiro, numa cerimônia que levantou questionamentos sobre conflitos de interesse. Afinal, estamos falando do comandante-em-chefe dos EUA recebendo uma aeronave de US$ 800 milhões de um país do Golfo Pérsico.

Para comparação: o orçamento anual da Saúde em dezenas de cidades brasileiras não chega a um décimo desse valor.

Trump insistiu no domingo que o avião "tem muita capacidade", mas admitiu que em "cerca de um mês" começarão as melhorias. "Eles vão deixar tudo no máximo", disse o presidente, sem especificar quanto isso vai custar ao contribuinte americano.

Serviço Secreto diz não

O veto ao uso do jatinho catari aconteceu quando Trump planejava retornar de uma viagem à Turquia. Fontes ligadas ao Serviço Secreto informaram que a aeronave não possuía os sistemas de defesa antimísseis e comunicação criptografada necessários para proteger um presidente em exercício.

A situação expõe um problema delicado: Trump vem usando um avião particular para funções oficiais, algo que mistura patrimônio pessoal com aparato estatal de forma inédita na história americana recente.

Quanto custa ser presidente?

Os dois novos aviões Air Force One oficiais, encomendados ainda no governo Biden à Boeing, estão com entrega prevista apenas para 2027 ou 2028. O custo: US$ 5,3 bilhões.

Enquanto isso, Trump usa sua frota particular, agora incrementada com o presente catari. A reforma prometida deve incluir:

  • Sistemas antimísseis de última geração
  • Blindagem reforçada
  • Comunicação criptografada militar
  • Sala de situação segura
  • Capacidade de reabastecimento em voo

Especialistas em defesa estimam que adaptar um jato comercial para padrões presidenciais pode custar entre US$ 100 milhões e US$ 300 milhões adicionais.

O paralelo brasileiro

A situação lembra debates sobre o uso de jatos particulares e offshores por políticos brasileiros — tema recorrente em investigações da Lava Jato e da Receita Federal. A diferença: Trump faz tudo às claras, transformando luxo em política de Estado.

Enquanto autoridades brasileiras escondem patrimônio em offshores, o presidente americano exibe um Boeing 747 de presente como se fosse normal. Duas faces da mesma moeda: poder e dinheiro acima da transparência.

A reforma do jatinho deve começar em abril. Até lá, Trump segue usando sua frota pessoal para viagens oficiais, borrando cada vez mais a linha entre o público e o privado no topo do poder americano.

Carolina Pereira Ferraz

Carolina Pereira Ferraz

Cronista de poder e dinheiro. Ex-Forbes Brasil, ex-Piauí. Especializada em rankings de riqueza, dinastias políticas e herdeiros do poder.