Viagogo na mira: site de revenda milionário enfrenta processo

Viagogo na mira: site de revenda milionário enfrenta processo
Foto: moneytimes.com.br

Enquanto os políticos mais ricos do Brasil debatem no Congresso, um gigante bilionário do mercado de ingressos está na berlinda. A Viagogo, plataforma internacional de revenda que movimenta milhões em cada show ou evento esportivo, acaba de virar alvo do Ministério da Justiça.

O crime? Não deixar claro que é uma intermediária — não a vendedora oficial.

O Golpe Silencioso

A Secretaria Nacional de Defesa do Consumidor (Senacon) abriu processo administrativo sancionador contra a Viagogo. A acusação é direta: o site engana consumidores ao não informar, de forma clara e ostensiva, que opera apenas como revenda de ingressos.

Tradução: você paga mais caro achando que está comprando do oficial. Não está.

A determinação é simples. A Viagogo precisa estampar em todos os ambientes acessíveis — site, aplicativo, páginas de checkout — que se trata de revenda. Cada dia de descumprimento? Multa pesada.

Quanto Vale o Silêncio?

A Viagogo não é uma startup de garagem. A empresa, fundada pelo bilionário Eric Baker (ex-StubHub), opera globalmente e já foi avaliada em bilhões de dólares. No Brasil, surfou na onda de grandes eventos: shows internacionais, jogos de futebol, festivais.

O modelo de negócio é cirúrgico: conectar quem tem ingresso sobrando com quem está desesperado. No meio do caminho, a plataforma embolsa comissões gordas — frequentemente acima de 25% do valor.

Mas tem um detalhe: muita gente não sabe que está comprando de terceiros. Pensa que é venda oficial. Paga preço premium. E aí mora o problema.

O Histórico Sujo

Não é a primeira vez que a Viagogo enfrenta autoridades. No Reino Unido, foi multada por práticas enganosas. Na Austrália, processos similares. Na Itália, investigações.

O padrão se repete: falta de transparência sobre origem dos ingressos, preços inflados artificialmente, taxas ocultas que aparecem só no final da compra.

Consumidores relatam situações kafkianas:

  • Ingressos duplicados (mesmo assento vendido duas vezes)
  • Bilhetes inválidos barrados na entrada
  • Reembolsos negados ou demorados
  • Atendimento ao cliente inexistente

A Defesa do Consumidor Contra o Império

A Senacon não brinca em serviço. A determinação vem com prazo curto e multa diária — valor não divulgado ainda, mas historicamente essas penalidades começam em dezenas de milhares de reais por dia.

Para uma empresa acostumada a faturar milhões, pode parecer pouco. Mas o estrago reputacional? Esse dói mais.

O recado é claro: transparência não é opcional. É obrigatória.

O Que Muda Para Você

Se a Viagogo cumprir a determinação, você verá avisos enormes toda vez que acessar o site. "ATENÇÃO: ESTE É UM SITE DE REVENDA. PREÇOS PODEM ESTAR ACIMA DO VALOR ORIGINAL."

Simples assim.

A medida não proíbe a revenda — isso é legal. Mas exige honestidade. Quem compra precisa saber o que está comprando. E de quem.

Enquanto isso, os políticos mais ricos do Brasil seguem suas agendas, alheios a essas batalhas do consumidor comum. Mas desta vez, pelo menos, o Ministério da Justiça entrou em campo.

Resta saber se a Viagogo vai acatar — ou se vai preferir pagar as multas e seguir no jogo do silêncio lucrativo.

Isabela Guimarães Coutinho

Isabela Guimarães Coutinho

Editora de perfis. Escreve retratos de personagens do poder — do bilionário ao aliado invisível do Planalto.