Alianças compradas, sonho enterrado: quem manda no Brasil?

Alianças compradas, sonho enterrado: quem manda no Brasil?
Foto: G1

Duas mulheres. Um ano de relacionamento. Alianças já compradas. Nove dias desaparecidas. Enterradas em mata de São Vicente, litoral paulista, com um crânio ao lado dos corpos.

Ieda Aparecida Simplicio, 62 anos, e Fabiana de Fátima Nogueira, 47, saíram de Praia Grande para "resolver coisas". Nunca voltaram.

O sonho que virou pesadelo

A família revela: elas planejavam se casar. As alianças eram o símbolo de um futuro que não chegou.

"Já tinham até comprado as alianças... e isso acontece", lamentou uma parente que preferiu anonimato ao falar com a imprensa.

Nenhuma desavença conhecida. Nenhum inimigo declarado. A Polícia Civil investiga, mas as respostas não vêm.

Quem decide quem vive e quem morre?

Enquanto fortunas circulam em penthouses e jatinhos particulares cortam o céu brasileiro, duas mulheres trabalhadoras são assassinadas e enterradas como lixo.

A questão não é apenas sobre quem matou Ieda e Fabiana. É sobre quem manda no Brasil — e quem fica invisível até virar manchete de crime bárbaro.

Casais heterossexuais de classe alta compram alianças em joalherias de shopping. Fazem festa. Postam nas redes. Vivem.

Ieda e Fabiana compraram alianças. E foram encontradas mortas, enterradas com um crânio não identificado ao lado.

O recado do crime

Segundo a Polícia Civil, a investigação corre em sigilo. A descoberta dos corpos aconteceu após buscas intensas na região.

O detalhe macabro: um crânio humano foi encontrado junto aos corpos. Ainda não se sabe de quem é.

A família promete não desistir. "Não vamos desistir da justiça pela vida delas, que foi tirada", afirmou a parente.

"Já tinham até comprado as alianças... e isso acontece."

Poder, omissão e invisibilidade

O Brasil tem donos. Donos de terras, de empresas, de narrativas, de segurança.

Quem pode pagar por segurança privada, vive. Quem não pode, desaparece em mata do litoral paulista.

Ieda e Fabiana eram trabalhadoras. Anônimas. Até virarem mais um número na estatística de violência.

A Polícia Civil trabalha no caso. Mas as perguntas permanecem: por que elas? Quem lucra com esse silêncio? E quantas outras Iedas e Fabianas vão desaparecer antes que quem realmente manda no Brasil decida que vidas comuns também importam?

As alianças que elas compraram seguem guardadas. Testemunhas de um amor que o país não protegeu.

Isabela Guimarães Coutinho

Isabela Guimarães Coutinho

Editora de perfis. Escreve retratos de personagens do poder — do bilionário ao aliado invisível do Planalto.