Paolla Oliveira vira produto pornô: quanto vale sua imagem?

Paolla Oliveira vira produto pornô: quanto vale sua imagem?
Foto: redir.folha.com.br

Enquanto você tenta pagar as contas, há gente lucrando milhões com o rosto alheio. Paolla Oliveira, 44 anos, patrimônio estimado na casa dos milhões, descobriu que sua imagem virou produto pornográfico sem sua autorização.

A atriz da Globo denunciou ao Fantástico neste domingo (2) que criminosos usam inteligência artificial para colocar seu rosto em vídeos pornográficos e fabricar declarações falsas. Deepfakes — a tecnologia que transformou qualquer celebridade em mercadoria sexual.

O mercado invisível da imagem roubada

Paolla não está sozinha. O negócio de deepfakes pornográficos movimenta cifras não declaradas, mas especialistas estimam milhões de dólares globalmente. Sites especializados cobram assinaturas premium para acesso a conteúdo com rostos de famosas brasileiras.

A conta é simples: quanto mais famosa, maior o lucro. Paolla Oliveira, com 25 milhões de seguidores no Instagram, representa ouro para esses criminosos digitais.

Quem está por trás

Os responsáveis operam de países com legislação frouxa. Servidores na Ásia. Pagamentos em criptomoeda. Rastros apagados. A atriz pode denunciar no Brasil, mas o dinheiro circula fora.

E o prejuízo? Para Paolla, danos à imagem construída em décadas de carreira. Para anunciantes que a contratam, risco de associação involuntária com pornografia. Para o público, confusão entre real e falso.

"Criminosos utilizam meu rosto em conteúdos de teor sexual e simulam declarações que nunca fiz", relatou a atriz.

O que a lei diz (e não faz)

O Brasil criminaliza montagens pornográficas não autorizadas desde 2023. Pena: até cinco anos de prisão. Na prática, nenhuma prisão relevante foi registrada até agora.

O problema é jurisdição. Como prender quem está na Romênia usando servidor chinês para atacar brasileira? A resposta: não dá. Ou melhor, ninguém ainda descobriu como.

Quanto vale sua cara

Paolla Oliveira cobra entre R$ 500 mil e R$ 2 milhões por campanha publicitária, segundo fontes do mercado. Seu rosto tem preço de mercado. Agora tem preço de mercado negro também.

A diferença: numa campanha legítima, ela autoriza e recebe. No deepfake, criminosos faturam e ela só descobre quando fãs enviam prints chocados.

Sites de verificação estimam que vídeos deepfake com seu rosto já foram visualizados milhões de vezes. Cada visualização gera centavos em publicidade para os sites que hospedam. Some os centavos.

O futuro que já chegou

A tecnologia avançou. Hoje, qualquer pessoa com computador mediano e tutorial do YouTube produz deepfake convincente em horas. Antes, era coisa de especialista.

Resultado: democratização do crime. Paolla Oliveira hoje. Sua filha, sobrinha, namorada amanhã. A barreira técnica caiu. A barreira moral nunca existiu para esse tipo de criminoso.

A atriz procurou autoridades. Fez denúncia. Expôs o problema nacionalmente. E agora? Agora espera que algo aconteça enquanto novos vídeos falsos circulam.

No fim, resta a pergunta: numa era em que sua imagem pode ser roubada e vendida sem você saber, quanto vale realmente sua cara?

Fernando Andrade Villela

Fernando Andrade Villela

Investigador financeiro. Cobre offshores, patrimônio declarado vs. real, e o cruzamento entre política e mercado.