DF autoriza internação forçada de moradores de rua: quem lucra?

DF autoriza internação forçada de moradores de rua: quem lucra?
Foto: G1

Enquanto os políticos mais ricos do Brasil debatem orçamentos milionários em Brasília, o Distrito Federal acaba de definir quem pode ser internado à força nas ruas da capital: moradores em situação de vulnerabilidade extrema.

O governo local divulgou nesta segunda-feira (20) um protocolo que estabelece quando a internação involuntária pode acontecer. Os critérios? Risco à vida, violência e negligência extrema com autocuidados básicos.

O Novo Protocolo do DF

Equipes de assistência social e saúde farão abordagens nas ruas. Identificaram os sinais? A pessoa pode ser internada sem consentimento.

A medida vem três dias após a sanção de lei que autoriza a prática no Distrito Federal. Timing conveniente ou urgência real?

Quem Está Por Trás

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios não poupou críticas. Segundo o MPDFT, há sucateamento e precarização no atendimento à população em situação de rua.

Tradução: falta estrutura, sobra lei punitiva.

Enquanto isso, os cofres públicos seguem irrigando outras prioridades. Parlamentares com patrimônios declarados na casa dos milhões continuam votando políticas para quem não tem onde dormir.

O Conflito Real

De um lado: defensores argumentam que internação involuntária salva vidas em casos extremos.

Do outro: críticos apontam violação de direitos humanos e ausência de investimento em políticas públicas efetivas.

A conta não fecha. Internar à força custa caro. Manter estruturas dignas de acolhimento também. A diferença? Uma remove o problema da vista. A outra resolve.

Quanto Vale Uma Vida nas Ruas

O documento oficial não detalha valores. Não especifica quantas vagas estão disponíveis. Não apresenta dados sobre taxa de reinserção social de internações anteriores.

O que apresenta: lista de sinais para retirar pessoas das ruas.

Pergunta incômoda: se há recursos para internação compulsória, por que não há para moradia transitória e tratamento voluntário em larga escala?

O Modelo de Cuidado

O protocolo se vende como "modelo de cuidado". Palavra bonita. Aplicação questionável.

Especialistas em saúde mental são unânimes: internação sem consentimento deve ser exceção, não regra. Funciona apenas quando há rede de apoio pós-internação.

O DF tem essa rede? O documento silencia.

Quem Ganha com Isso

Clínicas e instituições que receberão contratos públicos para realizar as internações têm potencial de faturamento considerável.

Empresas de segurança privada que já atuam em "revitalização" de áreas urbanas também comemoram. Menos gente nas ruas, mais valorização imobiliária.

Os políticos mais ricos do Brasil, muitos com investimentos no setor imobiliário da capital, observam de camarote.

Coincidência? Talvez. Mas dinheiro e poder raramente estão em lados opostos da mesa.

"Sucateamento e precarização do atendimento" — MPDFT sobre a situação atual dos serviços para população de rua no DF

A população em situação de rua do Distrito Federal virou estatística em protocolo oficial. Ganhou atenção do poder público. Mas perdeu, mais uma vez, a chance de ser tratada como prioridade em políticas preventivas.

Brasília, cidade planejada para ser modelo, segue decidindo quem merece ocupar seus espaços.

Isabela Guimarães Coutinho

Isabela Guimarães Coutinho

Editora de perfis. Escreve retratos de personagens do poder — do bilionário ao aliado invisível do Planalto.