Michelle Bolsonaro e Flávio: aliança de poder e dinheiro Brasília
Michelle Bolsonaro não estava presente. Mas o recado foi dado: ela caminha com Flávio Bolsonaro rumo ao Senado. A convenção do PL no Distrito Federal, realizada domingo passado, confirmou a ex-primeira-dama como candidata à vaga mais cobiçada da capital federal — onde cada senador custa aos cofres públicos R$ 3,2 milhões por ano em salários e verbas.
Quem leu o discurso de Michelle foi o irmão. Ela não deu as caras. Mas a mensagem estava cristalina: a aliança Bolsonaro está de pé, bem estruturada, e mira o controle do poder em Brasília.
O clã e a máquina
Flávio Bolsonaro, senador pelo Rio de Janeiro desde 2019, é o articulador político da família. Michelle, até então restrita ao papel de primeira-dama gospel, agora vira peça eleitoral. A dupla representa o que há de mais calculado na política brasileira: nome, base evangélica e acesso direto aos cofres partidários.
O PL é hoje o partido com o segundo maior fundo eleitoral do país — R$ 886 milhões em 2024. Desse bolo, fatias generosas irrigam candidaturas estratégicas. Michelle entra nessa conta como aposta de alto retorno: popularidade herdada, discurso pronto, eleitorado fiel.
Ausência que fala
Por que Michelle não compareceu à própria convenção? O partido não explicou. O irmão leu um texto genérico, cheio de promessas vagas sobre "representar o povo" e "lutar pelas famílias".
Candidatos costumam usar convenções para inflamar bases, apertar mãos, posar para fotos. Michelle terceirizou a tarefa. Sinal de desleixo? Estratégia? Ou simplesmente a certeza de que, com o sobrenome Bolsonaro, a eleição já está ganha?
As pesquisas ainda não saíram, mas o cenário é favorável. O Distrito Federal elegeu Damares Alves em 2022 — também do clã bolsonarista, também com discurso religioso. A receita funcionou uma vez. Por que não funcionaria de novo?
Quanto vale um senador?
A vaga de senador pelo DF não é qualquer cadeira. É posto de comando na Esplanada dos Ministérios, a poucos metros do Palácio do Planalto, do Supremo, do Congresso. Quem senta ali não apenas legisla — influencia nomeações, emendas bilionárias, o jogo do poder real.
Michelle sabe disso. Flávio também. A família Bolsonaro nunca foi ingênua. Desde os tempos de vereador no Rio, Jair construiu um clã voltado para uma coisa: perpetuar-se no poder. Os filhos seguiram a cartilha. Agora é a vez da viúva política.
O jogo está posto
A convenção do PL selou o acordo. Michelle vai disputar o Senado. Flávio será o padrinho político. O dinheiro do fundo partidário vai bancar a campanha. A máquina está azeitada.
Do outro lado, adversários ainda se organizam. Mas enfrentar o sobrenome Bolsonaro no DF, com estrutura partidária robusta e base evangélica mobilizada, é tarefa para poucos.
Michelle pode não ter aparecido na convenção. Mas já está no jogo. E, pelo visto, jogando para ganhar.