Ratinho Jr. joga R$ 3,5 bi em estradas antes de sair do poder
Enquanto o brasileiro médio ganha R$ 2.900 por mês, Carlos Massa Ratinho Junior acaba de assinar cheques de R$ 3,56 bilhões. O destino? Estradas rurais em 272 municípios paranaenses. O timing? Seis meses antes de deixar o Palácio Iguaçu.
Coincidência? No Brasil de 2026, R$ 3,5 bilhões em obras não caem do céu — caem da caneta de quem sabe usar o dinheiro público como moeda eleitoral.
O Mapa do Dinheiro
Os convênios foram formalizados em fevereiro. Serão 2.639 quilômetros de asfalto novo ligando produtores, cooperativas e agroindústrias à malha rodoviária estadual. No papel, infraestrutura. Na prática, palanque.
Ratinho Jr. não pode se reeleger em 2026 — já cumpriu dois mandatos consecutivos. Mas pode, e vai, eleger sucessor. E no Paraná, terra de Beto Richa e Roberto Requião, quem controla prefeituras controla o estado.
As 272 cidades contempladas não foram escolhidas por sorteio. São redutos eleitorais estratégicos, bases do PSD e aliados. O governador não inventa dinheiro — ele distribui com precisão cirúrgica.
Quem Manda Aqui
Ratinho Jr. representa a nova geração de gestores-empresários que domina o Brasil. Filho do apresentador Carlos Massa, construiu carreira misturando televisão, negócios e política. Patrimônio declarado: R$ 18 milhões.
O governador faz parte do grupo que realmente manda no país — não em Brasília, mas nos estados. Enquanto o presidente Lula ou Bolsonaro ocupam manchetes, são os caciques estaduais que controlam orçamentos, obras e votos.
No Paraná, isso significa comando sobre o quinto maior PIB do Brasil: R$ 502 bilhões. Maior que Portugal. E Ratinho Jr. sabe exatamente como usar esse poder.
A Conta Que Alguém Vai Pagar
De onde saem R$ 3,56 bilhões? Do Tesouro Estadual, alimentado por impostos. ICMS, IPVA, ITCMD — siglas que drenam o bolso do contribuinte paranaense todo santo dia.
O Paraná tem 11,6 milhões de habitantes. Dividindo a conta, cada paranaense está bancando R$ 307 dessas estradas. Uma família de quatro pessoas? R$ 1.228. Ninguém perguntou se eles concordam com o projeto.
As obras prometem beneficiar comunidades rurais e escoamento de produção. Promessa legítima. Mas o calendário não engana: lançamento em ano eleitoral, inaugurações programadas para bombar na propaganda dos candidatos aliados.
O Jogo das Cadeiras
Ratinho Jr. termina o mandato com aprovação alta — 60% segundo pesquisa Paraná Pesquisas de janeiro. Números assim não se constroem apenas com boa gestão. Constroem-se com investimentos visíveis, inaugurações, fitas cortadas.
E estradas rurais são o investimento perfeito: impactam prefeitos, vereadores, produtores, cooperativas. Cada quilômetro de asfalto vira palanque para meia dúzia de políticos locais.
O sucessor natural seria alguém do PSD, partido de Ratinho. Nome ainda não definido publicamente, mas as estradas já estão pavimentando o caminho — literalmente.
Quem Realmente Decide
Esta é a verdade nua e crua sobre quem manda no Brasil: não é o presidente, não é o Congresso, não são os ministros em Brasília. São os governadores que controlam orçamentos estaduais, distribuem obras e compram lealdades.
Ratinho Jr. é apenas um exemplo — sofisticado, popular, eficiente. Mas a dinâmica se repete em São Paulo com Tarcísio, em Minas com Zema, no Rio Grande do Sul com Eduardo Leite.
Eles formam o verdadeiro conselho que governa o país. E R$ 3,56 bilhões em estradas rurais é apenas uma demonstração de força. Um recado: no Paraná, eu decido. Depois de mim, decide quem eu escolher.
O eleitor que pague a conta. E vote certo.