Tragédia expõe abismo entre quem corta grama e herdeiros políticos

Tragédia expõe abismo entre quem corta grama e herdeiros políticos
Foto: G1

Um homem de 37 anos morreu eletrocutado cortando grama em Ijuí, Rio Grande do Sul. Ele trabalhava sob o sol de domingo enquanto herdeiros políticos no Brasil faturavam milhões sem mover uma palha.

O acidente aconteceu às 16h50 deste domingo (2). O cortador de grama sofreu descarga elétrica fatal durante o serviço. SAMU tentou reverter. Hospital de Clínicas não conseguiu salvá-lo.

O Valor de Uma Vida

Identidade não divulgada. Família destroçada. Mais um número nas estatísticas de acidentes de trabalho que ninguém da elite lê.

Enquanto isso, sobrenomes como Sarney, Collor e Bolsonaro garantem fortunas e cargos sem qualquer esforço além de nascer. Essa é a conta que não fecha no Brasil.

A Brigada Militar confirmou apenas o óbvio: choque elétrico durante trabalho braçal. Nenhuma palavra sobre condições de segurança. Nenhuma investigação sobre responsabilidades.

Herdeiros Versus Trabalhadores

Dados do TSE mostram que 30% dos políticos eleitos em 2022 têm parentes na vida pública. Patrimônios declarados ultrapassam R$ 500 milhões em alguns clãs. Zero risco de choque elétrico cortando grama.

"O nepotismo político brasileiro vale mais que cem vidas de trabalhadores anônimos"

Eduardo Cunha declarou R$ 3,8 milhões. Renan Calheiros, R$ 4,2 milhões. Flávio Bolsonaro começou deputado aos 19 anos. Nenhum deles jamais pegou um cortador de grama na vida.

A Máquina do Silêncio

O homem morreu domingo. Segunda-feira, nenhum deputado federal falou sobre segurança no trabalho. Nenhum herdeiro político twittou solidariedade.

Eles estavam ocupados defendendo emendas parlamentares de R$ 50 bilhões. Dinheiro que poderia fiscalizar equipamentos elétricos. Que poderia treinar trabalhadores. Que poderia salvar vidas.

Mas vai para obras superfaturadas em currais eleitorais. Para cabides de emprego dos filhos, sobrinhos, primos.

O Preço Real do Trabalho

Segundo dados do Ministério do Trabalho, 612 pessoas morreram em acidentes laborais no RS nos últimos dois anos. Eletricistas, operários, faxineiros, cortadores de grama.

Gente sem sobrenome político. Sem herança garantida. Sem coluna social.

A vítima de Ijuí cortava grama num domingo de agosto. Talvez precisasse do extra. Talvez fosse o único sustento da casa. Certamente não tinha a opção de viver de mesada política vitalícia.

Enquanto você lê isso, 147 deputados federais são filhos, netos ou cônjuges de políticos. Patrimônio coletivo: mais de R$ 1 bilhão. Risco de morte no trabalho: zero.

O homem de Ijuí não teve escolha. Os herdeiros políticos do Brasil nunca precisaram escolher nada além de qual sobrenome usar na urna.

Carolina Pereira Ferraz

Carolina Pereira Ferraz

Cronista de poder e dinheiro. Ex-Forbes Brasil, ex-Piauí. Especializada em rankings de riqueza, dinastias políticas e herdeiros do poder.