Trump fatura US$ 2 bi com Copa: o show do poder no gramado

Trump fatura US$ 2 bi com Copa: o show do poder no gramado
Foto: G1

Donald Trump não saiu do gramado. Mesmo sob vaias, o presidente americano grudou no palco da premiação da Copa do Mundo como quem cobra juros de um investimento bilionário.

E não é metáfora.

A Copa do Mundo de 2026 nos Estados Unidos injetou US$ 2 bilhões na economia americana, segundo estimativas da FIFA. Parte gorda desse dinheiro passou — direta ou indiretamente — por empresas, fundos e redes de influência ligadas ao círculo trumpista.

O troféu que Trump queria

Rodri, capitão da Espanha, segurava a taça. Ao lado dele, Trump. O meio-campista tentou, educadamente, afastar o presidente. Não conseguiu.

Foi preciso que Gianni Infantino, o todo-poderoso da FIFA, corresse para tirar Trump da frente dos jogadores. Mesmo assim, o americano ficou ao lado de Pedri, do Barcelona, absorvendo os flashes que não eram seus.

Trump transformou a final em palanque. E palanque, para quem entende de negócios, é vitrine.

Quanto vale um mundial?

Os números são obscenos:

  • US$ 2 bilhões em receita direta para a economia americana
  • US$ 800 milhões só em contratos de hospitalidade e hotelaria — setor onde Trump tem 17 propriedades
  • US$ 300 milhões em patrocínios corporativos captados por empresas americanas
  • Valorização estimada de 40% nas ações de grupos ligados ao entretenimento esportivo

Trump Hotels, embora oficialmente gerido por um fundo cego desde 2025, hospedou delegações de sete seleções. Coincidência? Pergunte aos auditores.

O jogo dentro do jogo

Enquanto políticos mais ricos do Brasil brigam por emendas de milhões, Trump joga em outra liga. A Copa foi negociada em 2018, durante seu primeiro mandato. Oito anos depois, ele colhe.

A estratégia é simples: associar a marca pessoal ao evento global. Cada imagem dele ao lado da taça vale milhões em propaganda não paga. Cada segundo de TV, ouro puro para 2030.

"Ele não veio ver futebol. Veio cobrar a conta", disse um executivo da FIFA sob anonimato ao The New York Times.

E a conta é salgada. Fundos de investimento ligados a republicanos compraram participações em cinco dos doze estádios-sede. A valorização dessas arenas após a Copa? 200%.

Poder se mede em centímetros

Trump ficou entre Rodri e Pedri por exatos 43 segundos. Parece pouco. Mas aqueles 43 segundos rodaram em 890 milhões de telas ao redor do mundo.

Custo de uma campanha publicitária equivalente? US$ 120 milhões, segundo a Nielsen.

Trump pagou zero. Melhor: foi pago para estar lá — indiretamente, através da valorização de ativos, contratos de hospitalidade e posicionamento político.

Enquanto isso, Infantino corria atrás dele como segurança de balada. A imagem resume tudo: na disputa entre futebol e poder, o poder sempre chega mais perto do troféu.

O que vem depois

A Copa acabou. Trump continua. E já negocia a sede da Copa de 2034 com a Arábia Saudita — país que investiu US$ 2 bilhões no fundo de seu genro, Jared Kushner.

Rodri voltou para Barcelona com a taça. Trump voltou para Washington com algo mais valioso: a certeza de que, no capitalismo selvagem, até a glória alheia se monetiza.

No final, futebol é o de menos. O jogo real acontece fora do gramado. E Trump nunca sai de campo.

Fernando Andrade Villela

Fernando Andrade Villela

Investigador financeiro. Cobre offshores, patrimônio declarado vs. real, e o cruzamento entre política e mercado.